Ser mãe aos 22

Não é para todas, nem para muitas, nem para poucas. Não é repreensível. E passo a explicar porquê:

Mesmo que não tenha sido o sonho de uma vida, mesmo que não tenha sido planeada, mesmo que ainda não estejam casadas, mesmo que....

Ganham:

- Avós novos para os vossos filhos. (O que nem sempre quer dizer disponibilidade, fisicamente têm mais capacidade de vos apoiar. E acreditem, vão precisar).

- Uma nova perspectiva, mais madura, sobre a vossa vida e os projectos que têm.

- Obriga a uma redefinição de prioridades, e por isso mesmo, obriga a crescer.

- Por muito duro que seja ao início, (e quando o vosso filho nascer os primeiros meses são complicados) é impossível estar triste e desanimadas quando os temos por perto.

. Um alento. A partir deste momento os vossos filhos tornam-se no vosso maior apoio, alegria e satisfação.

- Criatividade: quantas mães não vamos conhecendo que deram asas à imaginação depois do nascimento dos filhos e criaram coisas novas?- exemplos de empreendorismo materno, portanto.

-Muita paciência, capacidade de dar, e vontade de desempenhar um óptimo papel- o que nos leva a ter cada vez mais pais empenhados, interessados e envolvidos.

 

 

(e entre tantas outras coisas...)

Pode ser visto como algo difícil. Mas deve ser das únicas dificuldades que traz coisas muito boas e positivas. Nem falo de mim, de todo.

 



Sempre sonhei com o dia em que iria poder ter uma família minha. Sempre sonhei acordada com os meus futuros filhos. Quem serão, como serão, o que quero fazer deles.

Tive a sorte de sonhar com outra pessoa todas estas coisas. Era suposto a L ter vindo cedo, mas antecipou-se. E de repente tudo mudou, mas acho que não mudou tanto a ponto de me ter feito sentir que estava a perder alguma coisa. Muito pelo contrário.

Primeiro que tudo foi um alívio saber que podia ter filhos. Parece estúpido, exagerado e ridículo. Mas quando se quer muito uma coisa, como eu queria, aquilo em que pensamos é sempre: e se não posso? e se não conseguir?...

E o segundo, tão seguido. (são dois anos... seguidos é quando têm 1 ano de diferença!!) "Menina, que irresponsabilidade, a vida não está para estas coisas. Não têm televisão em casa" - coisas que se ouvem por aí....

Tenham filhos, não precisam de ser 5, 6 ,7, basta 2 ou 3, mas tenham e dêem irmãos aos vossos filhos. Não dêem todos os brinquedos que existe no mercado, nem se sintam mal por não o poderem fazer. Eles não precisam, na verdade, de tantas coisas. Dias cheios e preenchidos, os pais por perto, atenção aqui e ali, muitos beijinhos, algum colo. Jogo de cintura para ir ao supermercado. Racionalizar e saber distinguir o essencial do acessório. Entre tantas, tantas coisas.

A minha experiência tem sido muito boa. Não quero fazer o retrato de família feliz, porque somos e não somos. Somos felizes porque vivemos exactamente o que queremos e como queremos. Com algumas dificuldades aqui e ali, com dias muito cansativos e uma mãe às vezes prestes a atirá-los pela janela fora.( Muito porque quero e preciso de trabalhar e eles não me deixam. Nesses dias, em que tento "fugir "deles, são os  que se portam pior e os que eu estou mais nervosa). Mas o saldo, os dias, as manhãs de mimos, as tardes cheias de descobertas, as cantigas, as histórias... a hora do banho e de espalhar cremes naquelas barrigas gordas. De cheirar os pijaminhas, cada um com o seu cheiro, cada um tão diferente. É tão, mas tão positivo!

Umas fotografias dos manos, juntos.



13 comentários:

  1. bonita reflexão. eu fui mãe a primeira vez com 32, ou seja, mais dez do que a catarina e é com frequência que me imagino "mãe aos 22" :)
    creio que uma das características que mais sinto falta é da descontração que se tem aos 22, eu equaciono tudo!, gostaria de não pensar que terei filhos pré-adolescentes com 40 e tal anos... depois há o factor Avós, cada vez mais as nossas crianças crescem em creches porque os avós não estão disponíveis, muitas vezes porque ainda trabalham mesmo já tendo passado a fasquia dos 60. quando eu era bebé isso não era uma realidade muito frequente.
    eu, hoje, se pudesse, teria sido mãe mais cedo, mas também não posso dizer que me arrependo de ter adiado essa decisão, como em todas as situações temos ganhos e perdas e ter a possibilidade de ser "mãe" é um ganho tremendo, seja em que idade fôr.
    muito bem!

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  2. Gostei muito, muito, muito.
    Sou mãe de 4. O primeiro com 25 anos. A última com 35:) Os últimos dois com 17 meses de diferença.
    É cansativo mas vale tanto a pena. É um cansaço quase sempre feliz.

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  3. Tão queridos!
    Ser mãe aos 22 não será muito diferente de o ser aos 42. E eu também acho que se devam ter filhos se assim se deseja (e só assim) e independentemente do resto e de preferência mais cedo do que tarde, mas mais vale tarde... A mim faltar-me-à Tempo e ele será impiedoso, mas tive a "sorte" de concretizar tarde um sonho que nunca foi de miúda. E dois será sempre, para eles e para nós, muito melhor que um só. :)

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  4. Gostei muito deste post! É difícil mesmo mas muito bom (também fui mãe aos 22).

    Grande beijinho,
    Francisca

    P.S. Tenho de marcar a sessão! Mas estou à espera que fiquem melhores dias.

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  5. este post dá realmente que pensar.
    eu fui mãe aos 29 anos e de facto acho que não fui tarde. Vivi uma série de coisas que queiramos ou não, são muito mais difíceis de o fazer quando temos filhos. Penso logo nas viagens distantes e longas que fiz e que hoje não trocaria o tempo de qualidade que tenho com o meu filho por elas (isso e não ter assim tanta gente que fique facilmente com 1 bebé 15 ou 20 dias seguidos... :-) ).
    O vasco tem quase 2 anos e fui pela primeira vez 1 semana de férias a sós com o pai este ano e soube-me lindamente. Mas a verdade é que sinto que me falta alguma coisa, aquele pedaço de gente agarrado a mim e a palrar interruptamente.
    Ser mãe aos 22 é ter a certeza que se vai ser uma avó nova, que se vai ter facilidade em acompanhar tendências, modas, hábitos novos dos filhos. Ser mãe aos 22 é ter 1 dose gigante de inconsciência (própria da idade) que nos permite, ajuda vá, a ser mães mais descontraídas e relaxadas.
    Ser mãe aos 29, aos 32, aos 42 é ser sempre mãe, como aos 22.
    Concordo sim e muito em não os deixar sozinhos na vida, sem irmãos. Irmãos geram primos e todos juntos são uma pandilha que se acompanha para sempre.
    Parabéns Catarina, pelo blog, pela escrita que está cada dia melhor e pelas fotografias que são uma delícia.
    Os miúdos são um espanto e não me esqueço nunca das vezes que vi e ouvi a pequena leonor de mão na cintura no jardim da estrela a dar ordens a todos os outros meninos à volta.
    Muito bom :)
    Um bjinho,
    Aline

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  6. Concordo tanto, mas tanto, com a Catarina!
    Os filhos precisam de irmãos, mimos e atenção. Há muita coisa que os pais querem e sonham dar aos filhos, e que não lhes faz falta nenhuma. É uma pena que nem toda a gente pense assim...
    E estas fotos dos manos? Que delicia!!! A primeira então, é a minha favorita :)
    Kisses

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  7. Palavras (e imagens!) tão, mas tão inspiradoras :)

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  8. Rita da Costa Martins26 de abril de 2012 às 07:25

    Adorei todas as linhas deste post!

    um beijinho,
    Rita.

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  9. Catarina,

    Adorei este post, identifiquei-me em muitas coisas e só te posso dar os Parabéns! Tens uma família linda!

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  10. Adorei*

    http://at-home-ideas.blogspot.pt/

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  11. Lindos!!! O melhor da vida sem qualquer sombra de dúvida....beijinho

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  12. Ainda com o nosso primeiro bebé dentro de mim, sonho um dia ter 2!
    Adoro visitá.la!!

    Uma mamã com 32!
    **

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