Em acrescento ao último post...

A IVG não é uma coisa boa e positiva. Qualquer pessoa sabe disso. A sociedade não discrimina essas mulheres, alias, elas não trazem um selo na testa a dizer: fiz uma ivg. A não ser que queiram e ponham. A sociedade discute o problema e procura soluções: até, sobre muitas mais situações que assim o exigem.
A insistência em ter que existir uma mudança de mentalidade por parte da sociedade é que me assusta.
Assusta me pensar que se pretende que se veja a IVG como uma coisa natural. Não é nem nunca será. Quem procura esta solução não a procura de ânimo leve, e não sai mais feliz por a ter feito. Não é positivo, nem para elas nem para ninguém.
Aqui não esta em questão porque motivo ou quantas vezes o fazem.
Ah, para alem de ter ouvido um medico dizer que só são consideradas recorrentes as IVG feitas durante dois anos, passados dois anos a mulher deixa de ser considerada recorrente. Mais uma vez, enganem-se que e mais fácil.

E isto que me escandaliza na sociedade, desculpas, suavizar, e esconder o que e a verdade. O que custa.

E depois a sociedade critica e olha com aqueles olhos mulheres que decidem ter os seus filhos. Isso sim, e duro.
Sentir que somos anormais numa minoria inacreditável.

Acho que nem todas as mulheres foram feitas para ser mães, ou assim o desejam. E não critico ninguém por isso. As vidas das pessoas são diferentes, mas seguidas com dedicação e consciência e vividas em pleno, dão imensos frutos. Seja a ensinar, seja numa empresa gigante ou num projecto mais pequeno. A verdade e que o importante e que cada um se sinta estupendo na sua pele, com responsabilidade e respeito pela do outro.

P.S: a questão a ser discutida não é a IVG em si, mas sim a sociedade que descrimina. Pois eu penso que mais descriminam quem decide ter filhos, ainda que jovem.
A minha opcao em ser mae não é um capricho porque não lhes resisto... Tenho pena que se inteprete dessa maneira.

10 comentários:

  1. Catarina ,
    Concordo plenamente com todas as suas palavras.....
    Hoje em dia "parece" que há uma campanha em transformar o que não é natural e mais que natural em normal e não é só sobre o IVG sobre outras coisas tb......
    E o pior é que somos nós contribuintes que pagamos tudo , não há direito quem faz um IVG tem direito a uma semana de "ferias" em casa remunerada pela segurança social e mais alguns direitos...
    mas um idoso que precise de ajuda muitas vezes não tem ou uma criança
    E o pior é que com estas campanhas estão a mudar a mentalidade das pessoas/ ou baralha-las é que já não se sabe o que é normal ou não.......

    beijinhos
    Raquel

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  2. Catarina, eu percebi o ponto de vista que apresentou e compreendo: a discriminação de quem quer e gosta de ter filhos antes dos 30 e de quem opta por ter mais do que 2 filhos. Acho que as pessoas hoje em dia não se lembram de quem está desse lado.
    A IVG é legal, não entendo porque continuam as pessoas a querer continuar mandar na vida dos outros.
    A sua opção em ser mãe é bonita e corajosa. Ter filhos por capricho? Que análise espetacular e tão acertiva. Ver de fora é melhor e mais certeiro, sem dúvida, ok.
    Bjs e uma boa gravidez. Que venham mais :D

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  3. "assertiva" era o que eu queria escrever!

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  4. Na minha direção de turma, uma mãe de 30 e poucos anos tem 6 filhos. Acho uma delícia!
    Se soubessem o que é ser filho único... Ok, sei que o sou de forma não intencional pois meus pais perderam com grande dor o 1º filho. Contudo, a maternidade é algo de tão belo... Tão bonito e exclusivo que nós, homens, não possuímos tal privilégio.
    Abraço

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  5. Querida Catarina, infelizmente não posso concordar totalmente contigo. Acho até o teu discurso um pouco "leviano" - ainda que perceba que tb não queres criar aqui uma discussão política.
    A IVG não é natural nem a sociedade assim a vê - até há muito pouco tempo era ilegal e considerada crime, se bem te lembras. Crime! Continua a não ser bem aceite. Continua a ser um assunto tabu, continua a ser um monstro, para muitos continua a ser "matar bebés". Se fores uma pessoa bem informada como acredito que és, sabes que não é assim, e que a discussão de "onde e quando começa a vida" é discutível. Do alto da nossa sabedoria leiga, podemos defender umas ou outras teorias, mas temos que concordar numa coisa: continua a ser um assunto absolutamente sensível para a sociedade e para maioria das mulheres. Ainda que muitas a façam de ânimo leve, até aí até concordo contigo. Mas sempre defendi que não podemos limitar a escolha de uns pela falta de senso de outros. Não é justo ter um bebé se não o podemos ou queremos criar. E da mesma forma que tu tens esse instinto maternal tão acérrimo, essa vontade, esse jeito, essa queda natural, idnependentemente da idade, é preciso aceitar que há mulheres que não querem ter filhos. Ou não podem. Seja uma decisão definitiva de não querer ou poder ter nunca ou pontual.
    Tenho menos um ano que tu. Se engravidasse agora, muito provavelmente interromperia a gravidez. De ânimo leve? Jamais. Orgulhar-me-ia? Nem pensar. Mas seria uma escolha que teria que fazer por mim e pela minha vida futura. Pela vida que pretendo para mim e para os meus filhos. Se por ter este ponto de vista para mim critico a tua escolha, por exemplo, de seres mãe cedo? Não. Posso não compreender porque não se adaptaria a mim, posso até achar que casar cedo + ser mãe dedo é um pouco "à moda antiga", mas não critico e, muito sinceramente, invejo a felicidade de quem vive tudo isso sem medos. Percebo que, num mundo "moderno", olhem para uma mãe tão nova com admiração e surpresa. Simplesmente por não ser comum e, como dizia, por ser uma coisa um pouco da vida antiga. Mas não percebo a tua ligação a quem escolhe a IVG em vez de seguir o teu caminho.
    Acredito piamente que os bebés quando nascem devem ser bem-vindos. Não sou a favor de que bebés nasçam por favor e para viverem vidas inteiras entregues ao sistema e a si mesmos. Acho que nisto estamos certamente de acordo.

    Estendi-me à brava no discurso, mas este para mim é mesmo um assunto sensível, nem sei explicar bem porquê, mas é porque o vejo como um atentado à liberdade e porque acho que muito poucas vezes é tratado com clareza e justiça. Felizmente nunca fiz nenhuma IVG, portanto o meu discurso não é minimamente tendencioso.

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  6. Ola N,

    Secalhar nao me fiz perceber neste post. A ideia nao é (e se fosse, nunca o discutiria atraves de um post num blog) dizer se sou a favor, contra ou se acho horrivel as mulheres que recorrem a uma IVG. A ideia e, obviamente dentro do meu ponto de vista (porque sou eu que o escrevo), fazer um paralelo entre o que se diz da mudanca de mentalidades da sociedade em relacao ao aborto (uma escolha que prossupoe algo de muito negativco, e a mudanca de mentalidades em relacao a opcao e escolha de ser mae. Que e bem mais directa, cara a cara e desconfortavel.
    Tenho pena que na nossa sociedade se cultive tanto a ideia de que um bebe e uma carga de problemas...
    Um beijinho

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  7. Entendi isso completamente, o que não percebi foi o paralelismo que fizeste entre uma coisa e outra. Um bebé não é uma carga de problemas mas é uma responsabilidade imensa e para sempre. Há quem não a queira e é tão aceitável como estar pronta para ela desde sempre, só isso.
    Compreendo o que dizes de as pessoas ficarem admiradas por seres mãe tão nova, mas daí a considerarmos descriminação vai um passo muito grande. Da mesma forma que não concordo que se cultive o aborto como uma solução normal. Se assim fosse não haveria todo um processo legal e burocrático em volta de quem opta por fazer uma IVG.

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  8. Olá,

    Não costumo comentar, também não quero aqui discutir se sou a favor ou contra a IVG, mas fiquei com vontade de partilhar o que se passou comigo: encontri o pai de uma amiga no início desta minha 2ª gravidez, que de imediato me disse que nós erámos uns irresponsáveis por termos dois filhos.
    Na altura quase que nem respondi de tão surpresa que fiquei.

    beijocas adoro o seu blog
    Carla Caseiro

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  9. Olá Carla, era exactamente esse caminho que queria; não discutir a IVG, mas sim mostrar que a opção de "vida" é muitas vezes descriminada! Um beijinho e obrigada pelo comentário!

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  10. Ao ler este post lembrei-me de um cartoon que me tem vindo à cabeça: http://zenpencils.com/comic/65-marianne-williamson-our-deepest-fear/. Somos um país com medo de ser feliz, de brilhar.

    Já agora, quem conhece a realidade dos hospitais públicos sabe muito bem que há mulheres que vão à IVG duas e três vezes por ano e quando lhes tentam dar a pílula ou um DIU dizem "Ò Sôtor, não seja chato!"

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