Há certos assuntos que não gosto de trazer ao blog.
Mas hoje trago, porque me choca e me deixa de boca aberta em frente aos programas da tarde enquanto os miudos fazem a sesta, e não há mais de 4 canais nem internet.

Pois dizia uma mulher que a questão da IVG é mais uma questão de alteração de mentalidades. Porque as mulheres que recorrem a esta ..situação?. (Nem sei que nome dar) ainda são olhadas de lado e descriminadas pela sociedade.

Pois vos digo: não há uma única vez em que me desloco ao supermercado com os meus filhos sem ter olhares chocados e questões impertinentes... quase me sinto obrigada a desculpar-me por estar grávida e ter dois filhos pequenos. Porque sou tao nova, (que horror, a maternidade aos 20 faz assim tao mal?) Porque estamos em crise, porque as pessoas mal conseguem sustentar uma criança apenas...; as questões que me colocam e o ar de chocado com que me falam deixam me de tal maneira atrapalhada que a minha resposta e rir e dizer: e tao bom!
Há uns anos lia no "A um metro do Chão", da ITP, que quando saia com os filhos sentia que as pessoas os olhavam como animaizinhos de circo!
Tal e qual...


Não posso dizer que não aconteça o contrario: as vezes ouço elogios: que corajosa, que exemplo! Claro que fico contente, mas a verdade e que para mim e normal, não e nada do outro mundo! São escolhas e opções, tao validas quanto outras. Mas, mais do que acreditar ou ser uma forte convicção ou ate ideal, são parte de mim, da minha natureza. Sou maternal, sempre fui, adoro estar grávida e adoro bebes.

Portanto, qual e o segredo para não estar grávida ano sim ano não?

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9 comentários:

  1. Estive a assistir ao "Sociedade Civil" por o considerar o melhor programa e verdadeiro serviço público no nosso país. Por outro lado, a temática vinha ao encontro de vivências familiares desde novembro: tomar conta de uma portadora de Alzheimer (minha avó aos cuidados da minha mãe).
    Relativamente ao assunto que muito bem nos trouxe, partilho da sua opinião. Aliás, a sua idade é a ideal para gerar filhos, como qualquer médico pode comprovar. Criaram-se hábitos para mim inusitados, na nossa sociedade: a mulher deve estabilizar profissionalmente e viver várias histórias de "amor" para só depois poderem ser mães. Ridículo! Então o que sucedida no passado? Que sentido faz uma mãe com 60 anos e o filho de 20? Um filho deve ser desejado e não totalmente "programado".
    Frisou aspectos que considero essenciais a uma mãe: gostar de crianças, gostar de ser mãe!!! Mais, ter capacidade em permitir que esses novos seres sobrevivam salutarmente. Durante 4 anos, dediquei a minha profissão a miúdos com problemas. Quantas foram as mães com as quais trabalhei que dos seus filhos não gostavam...
    Haja alegria, felicidade e harmonia com a mãe natureza. Os outros,... por que não olham para si mesmos?

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  2. Catarina, eu também não percebo as questões da IVG porque sou mãe e ADORO!

    Não se deixe intimidar pelos comentários dos outros, eu cresci numa família de 4 irmãos e há 30 anos também já comentavam a ousadia dos meus pais. Uma família grande é uma alegria e uma vida assente em vários pilares! São opções!

    A minha avó de 93 anos, mãe de 6 filhos, costuma dizer: antes um filho que uma perna partida!

    Parabéns pelos seus lindos filhos, pelo que vem a caminho, pelas suas fotografias e pelo seu empreendedorismo!

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  3. Esses olhares... nem quero pensar!!
    Bjs Catarina

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  4. Catarina,
    Acho muito bom (bonito, digno, ...) que vivas as tuas opções de vida com vontade e alegria. Penso que essa seria mais uma razão para aceitar as opções de vida dos outros com uma grande liberdade. É tão válido optar por ter muitos filhos, por ser "mãe-a-tempo-inteiro" como optar por os não ter ou ser "profissional-a-tempo-inteiro", "boémia-a-tempo-inteiro". E ninguém devia olhar, criticar, julgar as opções dos outros. porque não são melhores que as nossas. São simplesmente diferentes! E temos tanta dificuldade em aceitar o diferente.....

    beijo grande (com parabéns pelo terceiro, que percebi agora que vem aí!)
    anaIribeiro

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  5. Sabe o que lhe digo, cada um sabe de si. Cada um sabe o que o realiza, o que o faz realmente feliz e não é a crise, ou o que os outros possam eventualmente pensar, que nos deve fazer recuar e não avançarmos com os nossos planos e sonhos. Se o seu sonho e a sua felicidade passa por estar grávida e ter muitos filhos, porque não? As pessoas também gostam muito de comentar… ou porque tem muitos filhos ou porque ainda nem sequer tem filhos e já tem uma certa idade… nada está bem aos olhos dos outros. Acho que, no seu caso, se a faz tão feliz e se é para ter filhos lindos como os que já teve, porque não? Não dizem que cada vez há menos bebés? Então que haja pessoas como a Catarina que ainda acreditam que o melhor do mundo são mesmo os filhos. Eu também partilho da mesma opinião, tenho dois, com 5 anos e 18 meses e cada vez que olho para eles penso que tenho mesmo muita sorte em ter dois filhos assim, adoro-os até ao fim do mundo e quem me dera ter a possibilidade de ainda ter outro. Mas, não pense que é só consigo que essas coisas acontecem, tenho 32 anos, bastantes mais do que a Catarina, e ainda assim estou sempre a ouvir: Já tens 2 filhos?! Bem, que despachada?!! Mas, inacreditável, até parece que no tempo das nossas mães aos 32 anos não eramos consideradas velhas. Giro, giro, foi quando fui comprar o vestido de baptizado para o meu filho com a minha mãe e a empregada só falava para ela, como se eu fosse a irmã da criança!!
    Também desde pequena que quando me perguntavam o que queria ser quando fosse grande que respondia: “Mãe”. Só quem realmente sente isto é que consegue perceber a alegria de estar grávida, de ter um bebé, de sentir o coração apertado até chegar a hora de estar com eles, de ter uma filha pequena e pensar que bom seria se tivesse ainda mais um bebé… Como é bom e como a percebo…
    Só tem que empinar essa barriga e sentir um imenso orgulho de ser tão nova e já ter dois filhos e vir a caminho o terceiro… vai ser tão bom poder ainda ter tanta energia para brincar com eles
    Uma vez a mãe de uma amiga disse-me uma coisa que me marcou para sempre. A filha teve um acidente de carro brutal, e é mesmo um milagre estar viva e quase sem sequelas, e eu fui visita-la no dia do acidente, tendo eu acabado de ser mãe há menos de 1 mês do primeiro filho, a mãe dela agarrou-me as mãos e a chorar disse-me: “Nunca tenhas só um filho!”. Aquela frase marcou-me tanto… isto porque vi que, no desespero daquela mãe, embora um filho em circunstância alguma possa substituir outro, não ter mais nenhum filho podia significar que, caso as coisas não tivessem corrido bem, não lhe restaria mais nada… Agora tenho dois e penso sempre como gostava de ter o terceiro…
    Força Catarina e não acho que seja uma mulher de coragem, porque não é preciso coragem para ter um filho, coragem devemos ter para as coisas que constituem um sacrifício, e ser Mãe é mesmo o melhor do mundo!
    Que testamento…

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  6. Catarina entendo perfeitamente os olhares pois como sabe também tenho 3 filhos que adoro que sem eles nada fazia sentido e como você diz muito bem são opções de vida ! Eu senti os olhares, a discriminação de não ter uma aliança mas depois tudo deixou de me importar !até o ser Mae nova que as pessoas mais velhas tem sempre algo a dizer como se fossemos irresponsáveis, tudo isso e tão pequeno que um simples olhar ou uma graça a dizer aquilo em que acredito que as pessoas hoje em dia já tem algum cuidado quando se dirigem a mim pois como digo aos meus gordinhos sou uma Mae leoa e sem eles nada tinha o mesmo gosto, o mesmo sentido ! São eles que fazem que a vida tenha o encanto que eu sentia em criança e que volte a dar importância a coisas tão pequenas como observar a lua , fazer castelos na areia mas principalmente a felicidade e a emoção que senti em cada parto em que me senti COMPLETA enquanto Mulher , Mae e casal ! Sao parte de mim !!! Um beijo grande e muitas felicidades pois um irmão e a melhor prenda que podemos dar aos nossos filhos !

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  7. Olá!
    Passei exactamente pela mesma situação. Tive a minha primeira filha com 23 anos, a segunda com 27 e a terceira com 33. Sempre que estive gravida senti os olhares de critica, pois eu parecia mais nova do que era; acho que pensavam que eu era adolescente. :)
    Claro que da terceira vez a critica já era por existir o preconceito que é uma loucura ter três filhos. Fazem-nos parecer mesmo umas anormais .
    Tive a sorte de depois de nascer a minha terceira filha, deixar de trabalhar fora e ficar sempre com elas. ( Também não compensava)
    Hà sempre o preconceito que as mulheres que são mães a tempo inteiro são menos inteligentes, menos interessantes, etc...
    Será que nao entendem que é a melhor coisa que existe no mundo?
    Será que nao entendem que podermos estar sempre presentes quando precisam de nós, é a melhor coisa que existe no mundo?
    Realmente a terceira filha nao foi programada, mas foi tão desejada como as outras. E completa o trio pois são todas miúdas maravilhosas, e tenho muito orgulho do trabalho que fiz com elas.
    Nao vou dizer que foi fácil, não foi...mas com método e organização tudo se consegue
    Foram e são o meu projecto de vida e prefiro mil vezes ser boa mãe do que boa profissional, pois infelizmente conseguir fazer bem as duas coisas é impossível, digam o que disserem!
    Claro que ás vezes é muito complicado, quase que se fica doida, mas uma coisa boa disso tudo, é que ficamos as pessoas mais desenrascadas do mundo! Nada, mas nada nos atrapalha, e fazemos cinquenta coisas ao mesmo tempo...
    E agora tenho 47 anos e é tão bom ter as minhas filhotas quase criadas e independentes e ainda poder fazer tanta coisa...
    Vejo outras mães com a minha idade e o filho mais velho tem a idade da minha mais nova. Caramba vão ter sessenta anos e ainda estão a criar os filhos.
    Desculpem escrever tanto mas era só para dizer que é bom ter três filhos e ser mãe nova.
    Beijinhos

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  8. AnaIribeiro, não posso deixar de dizer que matar uma criança não é "uma opção dos outros". Não devia ser opção para ninguém. Sejamos responsáveis, e não culpemos as crianças pelas nosso mau uso da liberdade. E sim, ter uma criança (ou muitas) - ainda que não venha na melhor altura - é uma opção melhor do que fazer um aborto: há, de facto, opções melhores do que as outras, não apenas diferentes.

    Catarina, já te tinha dito que gosto do teu blog, da forma como falas sobre os teus filhos. Mas com toda a sinceridade acho que muitas vezes pões mais a tónica no facto de não resistires a ter filhos por gostares de estar grávida e gostares de crianças. Sem dúvida, são condições muito importantes. No entanto, penso que a maternidade é um dom e que, como tal, não poderá estar ao sabor do que gostamos ou nos apetece em cada momento.

    Digo-te isto porque acho que é esta mentalidade que leva àquilo de que falas - a pomposa IVG: uma mulher fica grávida e como não gosta da ideia, ou de crianças, ou de engordar, faz um aborto. Não te digo isto a ti, porque se tens três filhos presumo que não partilhas deste entendimento. Mas digo-te que se os filhos não forem cuidados e respeitados por si mesmos, independentemente dos sentimentos mais ou menos satisfatórios que geram na mãe, rapidamente a história degenera para aquilo que cada mulher sente e tem vontade de fazer em cada momento. E rapidamente um aborto passa a ser uma opção, nao pior nem melhor, apenas "diferente".

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  9. Mas o aborto É apenas uma opção diferente. Não é uma opção fácil nem um caminho fácil, mas é uma opção que existe para quem, como diz a J., "não gosta da ideia" de ficar grávida. Porque é possível não se querer estar grávida e ter filhos ou até não poder (financeiramente). E é tão válida essa opção como outra. Estou plenamente de acordo com a anaIribeiro. É tão válido querer ser mãe a tempo inteiro como mãe que trabalha como não querer ser mãe, ponto.

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