these days

Já se passou uma semana desde a noticia, e 3 dias desde o internamento.

Foi passado a ver a série "Maternidade" em pleno hospital, em pleno trabalho de parto; só podia com uma boa dose de morfina que me foi dada ao fim de 4 duras horas de contracções.

Estava tranquila e de certa forma feliz por ali estar, por tudo ter acontecido de forma natural e finalmente ter um fim. Acho que o meu corpo me enganou: o quarto era me familiar, o processo também, mas o resultado final era outro; sentia-me bem, apesar das dores e de saber que não ia voltar a casa com um bebe mas sim com um enorme vazio. Fui mesmo enganada, e os primeiros dias em casa tem sido prova disso.

Tenho aprendido que é uma dor que poucos entendem, que é um processo longo e solitário, e que, acima de tudo, não é algo que se ponha atrás das costas e "bola para a frente..."
Faz parte de mim, da minha história, da minha vida e da nossa família. Aprender a viver com ela, saber que posso estar triste e é suposto e normal que isso aconteça.
Há alturas melhores outras menos boas; há dias em que me sinto "enganada"; em que só penso no mês de janeiro, na consulta e ecografia marcadas para setembro que será desmarcada.

E depois há os sinais que relembram o dia: a marca da entrada do soro na minha mão e que ainda doi, o autocolante que ainda estou a tirar do peito de quanto estive monotorizada, tudo o que tive de ver e preferia não ter visto, esta ultima sim, custa. Uma imagem que me vai acompanhar sempre.

Tenho tres filhos, penso. Não tenho, na verdade não o tenho. Onde está, o que lhe fizeram, porque não o tenho?

Muito lentamente os dias passam, e parece que a cada dia mais custa. Talvez um dia melhore.

Um obrigada especial à tia C pelo cravo branco que me trouxe do andor de Fatima e por este presente especial que nunca hei de tirar.

18 comentários:

  1. Querida Catarina,
    Sou a Cate da Dieta da Cate.
    Também perdi um bebé em Março, muito no início da gestação e a dor já foi muita. Por muito que o meu marido quisesse nunca conseguiu acompanhar verdadeiramente esta dor, tens toda a razão quando dizes que é um caminho solitário.
    Com um bebé já maior e um parto, para mim é absolutamente inimaginável, e é muito importante que faças o luto. És Mãe de 3 filhos, e sempre serás. O ZM existiu e foi uma vida nas vossas vidas.

    Ficamos a rezar muito por toda a Família, pedindo a Nossa Senhora que te ampare neste momento difícil.

    Beijinho grande,
    Catarina

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  2. Catarina, tenho lido, tenho acompanhado, mas faltam-me as palavras para fazer qualquer comentário. Não consigo imaginar a dor, a tristeza... apenas rezo para que passe e peço a Deus que atenue o sofrimento ao olhar para a doce L e o lindo X. Eles são o ânimo e a alegria que precisas neste momento. E não faz mal, chorar, sentir um enorme vazio, uma dor profunda... foi uma perda muito grande, ninguém pode relativizar. Um grande, grande beijinho cheio de força e coragem.

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  3. Como compreendo bem essa dor, todos esses sentimentos, os momentos, os olhares, as frases ditas e as não ditas, os silencios... tb passei pelo mesmos as 14 semanas, dp de uma eco as 12 onde tudo indicava um bebé saudável e lindo.... Agora, passado 2 ano e meio +- tenho uma filha maravilhosa nos meus braços com 6 meses e outro (que nunca esquecei) a olhar por nós no ceu :) faz parte da minha vida e só quem vive estes momentos é k sabe o k se sente!

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  4. Pelo que vejo pela minha mãe, que perdeu o 1º filho com 1 ano e 3 meses (era portador de deficiência), o processo do luto é mesmo muito difícil. Sobretudo, claro está, quando se é mãe por vontade e vocação.
    A dor, em muitos domínios é apenas compreensível por quem vive a mesma situação. Vivo aquilo que acabei de escrever quando, com colegas, procuro falar da Doença de Alzheimer da minha avó. A verdade, é que só dois, naquela escola com tantos professores, nos compreendemos mutuamente.
    Estou certo que vai ser forte. E acredite, escrever ajuda-nos a lavar a alma.
    Força!

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  5. Catarina, n podia deixar de te mandar 1 Gd bj...

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  6. a dor pertence a cada um, Catarina. Não deve e não pode ser controlada socialmente.
    Não interessa se passou pouco ou até muito tempo. Não interessa se não nasceu, se a natureza atuou em conformidade ou não.
    Interessa sim que só tu conhecias esse filho. Só tu o sentias e só tu lhe davas vida agora.
    chora, faz o teu luto. Anda para a frente com a certeza que não esquecerás essa dor, o tempo cura tudo, mas não é o tempo a médio prazo. Esse é como as saudades de quem amamos: só torna a dor mais aguda, mais funda..
    anda para a frente porque tens mais dois que merecem a mãe inteira. E são esses dois que te vão fazer dar a volta por cima.
    Um bjinho muito grande e muita força.

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  7. Querida Catarina,
    Conheço bem a dor de que falas, a solidão dos pensamentos, o vazio que te acompanha. Perdi a minha Madalena às 33 semanas de gestação e o parto aconteceu 2 semanas depois, de forma natural e 10 minutos depois do nascimento do seu irmão gemeo. Voltei para casa com um filho nos braços e 2 no coração.
    O luto é um processo difícil, longo e muito solitário. Nunca se esquece um filho. Existirão dias em que te lembrarás menos, outros em que as saudades te irão amachucar o coração de uma forma inexplicável. O tempo não vai curar a ferida mas vai ensinar-te a melhor forma de viveres com ela.
    Um forte abraço cheio de mimo e votos de muita força.
    Beijinhos.

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  8. Querida Catarina,

    É com um enorme nó na garganta que escrevo estas palavras
    sem palavras para escrever ......... porque um acontecimento destes
    só realmente que passa por isso.......
    Acompanho essa dor com todo o meu coração

    Um beijo enorme
    Raquel

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  9. Querida Catarina,
    Sou uma apaixonada pelo teu blog e fiquei tão triste quando li estes últimos posts...
    Um abraço bem apertado e um beijinho muito muito grande, cheio de força e coragem*,

    Adriana

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  10. Catarina esta fase é muito importante para as mulheres, tem que vive-la e só você a pode viver, faça o luto, chore , sofra tudo isso agora para daqui por uns tempos possa seguir em frente.
    É mais complicado com filhos porque eles vão nos distraindo e volta e meia quando nos vemos sozinhas lá vem a dor, a lembrança.
    O que posso dizer da minha experiência é que deixei de me preocupar em ser forte conformada ou lá o que seja, quando me lembrar lembro e sofro e choro porque , sim me apetecia imenso ter 4 filhos a correr por esta casa neste momento, estaríamos falidos financeiramente e eu estaria maluquinha mas quero lá saber. Penso em todos os meus filhos que nunca peguei ao colo como filhos, e os 3 últimos então nem se fala, o menino as 15 e as miudas as 18 semanas, vi as carinhas nas ecografias, pari-os essa é que é a verdade, e serão sempre meus filhos.
    Há de chegar o dia em que sua dor parece estar a ficar dispersa , ela vai ficando menos presente e os planos para a vida fazem as coisas parecerem encaixar, por isso de tempo ao tempo, viva o que tem a viver agora para não ter que mexer nisso mais para frente.
    O que me consolou foi saber que fisicamente o que aconteceu salvou-me a vida que fisicamente meu corpo que mal suporta um feto jamais suportaria 3, meu marido continua a ter a mulher, meus pais a filha, minha filha uma mãe e meus próximos filhos também.
    Se pudesse dava-lhe um abraço forte com muito calor e carinho e em silencio, mas sei que Graças à Deus tem muito amor a sua volta e isso vai ajuda-la, vai ver.
    Muita fé e pensamentos positivos beijinhos.

    Carla

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  11. Só para deixar um grande beijinho de força e coragem!!!

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  12. Passei por aqui para deixar um grande beijinho <3

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  13. Oi Bola para a frente… E fé em Deus que ele é justo...... beijosss força...

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  14. Catarina, não tendo sido um filho, sei bem o que é sentir que nos levaram o chão, quando alguém que tanto amamos parte precocemente.

    Por isso, e tal como já o fizeste anteriormente comigo, deixo-te um grande beijinho. Do coração.

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  15. Querida Catarina

    Temos a mesma idade e sou amiga da Teresa N., com quem tem projectos. Comecei a ler o seu blog por isso mas depois apaixonei-me por ele.
    Com efeito ha certas situações em que nem conseguimos dizer nada a não ser que estamos solidários e vamos rezar por si.
    Se estou a escrever e a chorar, quando nem sequer a conheço pessoalmente, porque é que a Catarina não haveria de poder chorar? Conforme as palavras sábias das pessoas que deixaram aqui os seus comentários, chore tudo o que tem para chorar e sinta tudo o que tem para sentir. Não há verdades absolutas em nada ou quase nada desta vida. Por isso só a Catarina saberá como ultrapassar este momento difícil, aproveitando este ou aquele conselho.
    Não passei nunca pelo mesmo nem tenho bebés (casei ha pouco tempo). Mas infelizmente sei de dois casos de duas amigas. Num caso, a minha amiga L. perdeu o bebé dois dias depois de ter nascido. Felizmente engravidou logo 6 meses depois, contra a vontade dos médicos, e agora tem um bebé maravilhoso. Mas aí está, mesmo quando todos lhe diziam para esquecer, ela nao esqueceu mas ultrapassou a dor. Sem esquecer. No seu decote tem um colar com dois rapazes em prata. DOIS!
    No caso dois foi pior, a minha amiga C. morreu grávida. Mas ACREDITE que continua no coração de muita gente. Ainda É uma mulher maravilhosa.
    Infelizmente a Natureza prega-nos partidas e desgostos. Mas também nos dá muita coisa boa. Como a Carla escreveu acima, Deus e a Natureza deixaram-nos a Catarina e, apesar de neste momento ainda não conseguir ver coisas menos más, o tempo, o choro, o luto, a família, os amigos e os seus leitores irão, com certeza, ajudá-la no seu caminho.
    Gosto muito de si e nem a conheço.
    Aceite um abraço virtual e uma oração a Deus por si e pela sua família!

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  16. Lindo Su; eu não diria melhor.
    Um grande beijinho à Catarina.

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  17. Muita força Catarina!
    Beijo grd

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