Why women still can't have it all

Agora sim;

Foi depois de ter lido este artigo, há uns tempos que me deixou  a pensar;

Como dizia no post anterior, as mulheres que conheço que "têm tudo" delegam. Mas às vezes sinto que se delegasse mais (se pudesse delegar mais e abusar 300 mil vezes mais dos avós, tias e afins), estaria a perder o que tanto gosto.

Eu gosto, apesar da canseira que é, ir sozinha de autocarro buscar os miúdos e pôr todos os dias; arrastá-los até à escola um bom bocado a pé e para o Jardim ao fim do dia. Cantar-lhes na viagem para casa para se portarem melhor e contar mil histórias para ficarem sentados. Sim, é cansativo, sim, às vezes digo que preferia ir só pôr ou ir só buscar ou ter um motorista!

Sinto que se não o fizesse todos os dias, como faço, estaria a perder (e muito) da vida deles e da minha com eles.

O que começou a acontecer, desde que o trabalho se intensificou em Março passado, é que aquele limite que tinha para os ir buscar (15:30-16:00) e de que tanto me orgulhava, e que tanto tempo me dava para estar com eles, foi passando para as 17:00, sem grandes dramas. "Tem que ser", é muito mais forte. 4 horas de trabalho diárias (feitas bem as contas, era o que tinha de tempo dedicado à fotografia e em casa sem eles) não são suficientes. As 17:00 permitiram-me mais uma hora, hora e meia de avanço. No entanto, já não "apanho" as educadoras dos miúdos, apenas as auxiliares que me contam como correu o dia, mas é diferente. O feed-back é muito diferente. Depois do lanche já ficam quase duas horas à minha espera,  e as saudades são mais que muitas. O X está muitíssimo carente e eu (às vezes) muitíssimo culpada, neste novo horário!

E porque é que não temos tudo? Porque somos exigentes, queremos tudo perfeito e como idealizámos. Baseamo-nos nos standards mais elevados. Casa perfeita, roupa em dia, refeições bestiais e variadas consoante a ementa da escola todos os dias, decoração dos quartos impecável... etc etc etc.

Well, aqui em casa não é assim. Há semanas em que não consigo fazer mais que duas máquinas de roupa. Porque não tenho tempo. A roupa acumula-se; a nossa empregada que finalmente conseguimos que passasse a vir duas manhãs em vez de uma, vai ajudando a passar a ferro e nas limpezas. Mas quando chego as 19h vinda do jardim com duas crianças esfomeadas, cansadas e cheias de sono só queremos um jantar tranquilo, sabendo que vão comer, bem, o que nos deu trabalho a fazer; e por isso opto por coisas rápidas, simples e eficazes. Sopa; salsichas, ovos mexidos, massa com mil coisas, peixe cozido, hamburgueres...

Trabalho das 20h-23h e quando me levanto do computador sinto-me uma "zombie", caio para o lado e de repente já são 7:30 e tudo começa de novo.

Ter tudo, para mim, era ter alguém que cozinhasse, para todos, fazer aqueles guisados e aquelas comidas que sempre tivémos em casa das nossas mães mas que não tenho tempo para planer, fazer compras e concretizar;

Ter tudo, passava por ter uma baby sitter de serviço sempre que fosse necessário; para ficar com eles e que eles adorassem, nos fins de semana em que trabalho (quase todos) e o M não está (quase todos).

Ter tudo, era ter alguém que me ajudasse no escritório.

...

Ao mesmo tempo, acho que tenho tudo, apesar de alguns pormenores parecerem escapar, tenho quase tudo. E sou mulher.

12 comentários:

  1. Este é o dilema de todas nós! É preciso é força, e saber que se estamos bem eles estão bem, e aproveitar todos os minutos com qualidade, para que "marquem"! ;)

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  2. Revejo-me tanto, em tudo isto. E ainda por cima não sou nada organizada. Dou voltas e voltas à cabeça a pensar como puderei ter tudo (mais ou menos) em ordem. Mas não trocava isto por nada, e todos os dias esforço-me por melhorar aqui e ali, sabendo que nunca há-de ser perfeito. E isto traz-me uma certa paz. Por falar em paz, adoro o seu blogue, o seu projecto. Parte da minha paz interior vem de passar aqui diariamente. Este, é um sítio que me faz bem.

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  3. Tenho os mesmo pensamentos quase diariamente... :)

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  4. Catarina és tão nova mas tão sábia! Adoro vir ver as tuas fotos sem dúvida, mas acho que também escreves lindamente e com tanta verdade! Aproveito para dar os parabéns pela ultima entrevista! Está o máximo, a família da Barbara é linda e a casa é de sonho! Um beijinho.

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  5. Várias vezes oiço "Está tão grande!!, o tempo passa tão depressa..". O que é facto é que sim, essa é a verdade, mas precisamente por acompanhar cada passo da minha filha da maneira como acompanha os dos seus filhos faz-me sentir que, realmente passa depressa, mas aproveitei cada bocadinho! E isso sim, faz-me um sorrisão na cara! Sim, trabalho, sim tenho stress dia-a-dia, sim, parece que o tempo é cada vez menos e cada vez mais a correr. Mas saber que o aproveita ao máximo basta! Porque estar bem profissionalmente também faz bem à cabeça! Tempo de adulto também é importante!

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  6. Sara, obrigada pelo comentario! Tambem me revejo muito nele! Fico muito feliz que este blog seja bom, e que lhe faça bem ca passar! Que assim continue, e se mudar, apitem! Um beijinho enorme!

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  7. Só posso dizer que não se pode ter tudo quando já se tem o essencial, o que nos enche o coração,aqueles momentos que não se repetem...também eu vivi assim e segui sempre a minha intuição, aquilo que o meu coração me dizia e não me arrependo nem um segundo de ter feito tudo sózinha. Há dias recordava a "maluquisse" que era quando dava banho a dois pirralhinhos com ano e meio de diferença e sentava ambos no sofá com um prato de comida à frente e com a mesma colher enfiava na boca de um e de outro alternadamente...quando não queriam dormir punha um edredon no chão da sala e dormiamos todos no chão :) Pode parecer loucura mas fomos sempre muito completos e muito felizes.
    Só posso dizer Catarina que o meu caminho foi muito semelhante e o importante é vivermos o momento que estamos a viver como se fosse o mais feliz da nossa vida pois não poderemos saber nunca o que se segue... Beijinho nosso

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  8. De fato o ser humano é um ser insaciável por natureza e mesmo quando parece que temos tudo, chegamos á conclusão que ainda falta algo...

    Comecei a dar mais valor ao que tenho, quando a minha mãe faleceu, porque aí apercebi-me que podia ter o casamento mais lindo do Mundo, que isso não importaria, porque infelizmente ela já não estava presente para poder partilhar esse momento. Desde então que dou mais valor ás pequenas coisas e aos momentos mais simples, porque de fato são esses que contam...pelo menos para mim.

    Parabéns pelo blog, adoro as fotos, são uma verdadeira inspiração...

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  9. ai... o que eu gostava de conversar consigo. tenho algumas das mesmas preocupações, tenho alguns dos mesmos medos, arranjei algumas das mesmas soluções e no entanto acho sempre que devo fazer melhor... mas andamos todas a aprender. beijinhos (quando estiver no jardim pode sempre vir falar comigo, normalmente ando com os 2 a passear pelo parquinho e pela rede gigante!! ;)

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  10. Depois de ler este post sinto-me um bocadinho menos mal por ter quase a roupa toda fora dos roupeiros e por passar... tenho 3 filhos, saio de casa às 7h40 e chego 12 horas ou mais depois com 3 filhos que têm de tomar banho, jantar... que precisam de uma atenção que eu sei que não dou, pq qd acabam de comer e arrumar as coisas para o dia seguinte, está na hora de ir fazer chichi e lavar os dentes, se não de manhã ninguem se levanta... Não tenho ajuda de ninguem, mas para ser a mãe que gostava precisava sim... Não a tratar deles, mas a tratar da casa!

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  11. Obrigada Mariana! Que palavras tao queridas! Um dia organizo um lanche de maes no jardim e ficamos todas a conhecer-nos!

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