O pior dos meus dias ou o melhor?

A Ana e a Catarina desafiaram-nos para um exercício que já faço todos os dias, mas nem sempre registo "o melhor do meu dia". Quero muito começar a rúbrica, porque me identifico a 300%!

Mas na sexta feira, ao receber o e mail da J, meio desabafo, meio critico, percebi que sem querer podemos causar imensa frustração em quem nos lê. Por muito que o blog seja meu e o objectivo seja registar as minhas ( e nossas) memórias familiares, é um blog aberto, visível a milhares de pessoas e aquilo que expomos tem efeitos secundários (bons e maus).

Hoje vou tentar explicar, de outra forma o que se passa por trás de fotografias assim. O que nem sempre escrevemos.

A Leonor veio enfiar-se na minha cama às 6:00. Conseguiu ainda dormir até as 7:30, mas eu já estava cansada do dia anterior, com imensas dores nas costas, e tudo o que eu queria era ficar ali. O Miguel saiu cedo, mal dei por ele, e só regressa amanhã. Como criança de 4 anos normal que é, a Leonor acorda com fome, e tive que me levantar e fazer-lhe uma papa. Altura em que acorda o Xavier, e faço mais outra papa. Vamos todos para o sofá (onde também eu como uma papa, cheia de preguiça e a precisar do conforto de uma cérélac).
Querem ir para a minha cama saltar e eu pensei que seria uma óptima oportunidade para os fotografar de manhã ainda em pijama e despenteados, como gosto tanto. E aproveito. Atrasei a hora de sair para a escola por causa da ideia das fotografias, e por isso ficaram em casa. Mas aqueles 10 minutos de saltos, por muito que me tenham "custado" um dia de descanso, valeu a pena, pela cumplicidade de irmãos ali experimentada.

Depois disso lembrei-me que tinha coisas novas em casa e que gostava de as fotografar, para depois fazer um post, tinha um agradecimento a fazer pelo óleo que a Cuide de Si me enviou, para as estrias, e umas toalhas da Zara Home que me apetecia mesmo fotografar. Nesses segundos, os miúdos já estavam no quarto a desarrumar os brinquedos. Sabem quando brincam a desarrumar? Ele faz sempre isso. É raro ficar a brincar, pega nos caixotes e despeja-os, um por um, até não se conseguir mexer mais no quarto, e aí salta para outra divisão. Entre dores nas costas e algumas contracções, vou chamando-os para virem vestir-se mas fazem-se de surdos, e quando tenho dores, sou completamente intolerante a estas coisas. Perco a paciência em 2 segundos. Consigo que venha a Leonor, que faz birra porque não quer vestir calções mas sim um vestido, chora e esperneia e eu zango-me cada vez mais. Depois lá aparece o Xavier, deixa-se vestir mas com muitas palermices pelo meio, troca os pés, desequilibra-se, não quer vestir pela ordem que eu visto... mais um drama. Sai a correr, e deixo de o ouvir. Vou vestir-me. Procuro-o a seguir e está a brincar com o tupperware que está na cozinha por baixo do termo-acumulador que deixa escapar uns bons litros de água por semana. Nem vale a pena explicar o estado da cozinha e da criança. Grito de novo: "quantas vezes já disse que não te quero aí?!!" Ele ri-se e vem abraçar-me e diz "desculpa, desculpa". Mas não muda o meu desânimo.

Percebo rapidamente que ficar em casa com eles não vai ser uma boa opção. Estão a precisar de rua, por isso, assim que consigo pôr ordem a casa, saio. Mas saio a custo, as dores nas costas ficam mais fortes e quando regresso só consigo dar de almoço salsichas e massa. A cozinha fica por arrumar. Precisava de ir ao atelier terminar a decoração das mini sessões de Natal, mas não consigo arrastar os dois até lá, com as dores que tinha.

Pedir ajuda (detesto, detesto pedir ajuda), ligar à mãe para me vir ajudar na hora dos banhos, porque a minha ajudante cá em casa (a L) não pôde vir porque o filho partiu o braço. (Logo não houve compras, almoço e jantar feito, ajuda nos banhos, camas feitas, casa arrumada e limpa);

Mas os banhos foram um caos. Choraram e gritaram porque não queriam que fosse a avó a lavar a cabeça; Nem sei o que mais cansa, se os ouvir se fazer eu e estarem calados.

A minha vida com os meus filhos é tão ou mais banal que a maioria das mães. Ninguém é diferente de ninguém, principalmente quando se tem filhos. As tarefas são as mesmas. Mas o blog ajuda-me a fazer um exercício que me faz bem. Pensar no melhor, registar o que foi aquele dia em imagens, quer seja uma birra ou um mimo. O que for. O que muda e varia de família para família é a maneira como encaramos a rotina, como reagimos como nos esforçamos, se olhamos para dentro e tentamos fazer diferente no dia a seguir. O blog obriga-nos a parar uns minutos durante o dia, nem que seja para perceber que foi tão mau que não conseguimos escrever uma palavra, nem queremos.

Só se ilude quem quer, quem procura uma novela ou uma vida cor de rosa. A nossa não é nem uma nem outra, mas é muito boa, apesar de todos os contratempos normais e do cansaço dos dias que correm. Eu diria até que somos muito muito felizes. Casamos os dois quando queríamos, com 22 anos, porque queríamos, porque não havia nada que fizesse mais sentido que dar aquele passo. Nem todos nos compreenderam ou compreendem, muito menos a decisão de ter filhos tão novos, com 23. Hoje temos os dois 27 anos, já vamos na terceira casa (e última, esperamos), na 4 gravidez, e o terceiro filho a chegar. O trabalho do M deixa me muitas vezes sozinha dia e dias a seguras as pontas, mas tira a rotina de cima de nós. Da nos espaço e como casal temos a oportunidade de ter saudades  do outro. Isto é ouro nos dias que correm. O M é um pai exigente mas muito atento e brincalhão, sabemos e conversamos muito sobre como queremos educar os nossos filhos, condicionando o suficiente aqui e ali para os ajudar a serem melhores e a serem crianças felizes. Evitamos dar lhes ipads e coisas que tal para as mãos porque sabemos que quando isso começar nunca mais termina, e as exigências e o tempo passado a volta desses gadgets se tornam um inferno para a nossa vida familiar. Gostamos de jantar todos a mesa, sempre que estamos com a paciência que e necessária para que corra tudo bem, senão os miúdos jantam primeiro, vão logo para a cama e depois chega o nosso tempo. As folgas que o M tem durante a semana e a flexibilidade do meu trabalho dão nos espaço para namorar e ter tempo para os dois. Se temos sorte? Imensa, mas decidimos aos 22 anos avançar para ela e multiplica la. Não aproveitamos muito da vida?

Tanto! Todos os dias.


15 comentários:

  1. adorei a parte final do texto. li e reli as suas palavras de amor e compreendo como deve ser difícil mas ao mesmo tempo gratificante. e o blog serve para isso mesmo, para pensarmos no nosso dia, na nossa vida e como a queremos percorrer.

    Não tenho filhos, mas tenho um marido com horários complicados também. às vezes é dificil aceitar que tem que ser assim, que não pode estar presente aos fins-de-semana. mas temos de aceitar isso e tornar isso a nosso favor. por isso gostei tanto da parte final do texto. obrigada por partilhar*

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  2. Adoro! Continua assim! És simplesmente tu como tantas de nós somos! Beijinho grande

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  3. Adoro! Continua assim! És simplesmente tu como tantas de nós somos! Beijinho grande

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  4. É por isso que o nosso blog (meu e do Pedro) deixou de ser público e passou a privado apenas para quem eu sei que gosta de o ler…
    Catarina, não tens que te justificar, quando se procura um blog como o teu é para ver imagens bonitas e para mim o resto não importa, nem me interessa. Gosto de ver os teus filhos a brincar, fotografias de famílias e pessoas felizes.

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  5. casei aos 20 por amor, porque quis, e revejo-me muito na parte das criticas do ''tão cedo''

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  6. A Catarina é uma fonte de inspiração enorme e rara. Adoro a sua linguagem fotográfica e a maneira como enfrenta a vida, tentando sempre tirar o melhor partido dela e procurando a felicidade em todas as escolhas e decisões.
    Não tem que se justificar. O blog é seu, a vida é sua, a família é sua, a Catarina mostra o que bem entender. Eu cá gosto muito de ver as suas fotografias, dos seus filhos a saltar, a brincar e a serem felizes. :)
    beijo *

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  7. Tão bonito, este post!
    Tenho vinte e dois anos e namoro há sete. Sinto esta ânsia de casar (embora não seja prioritário) e de, especialmente, ter os nossos miúdos, tão desejados.
    Somos novos, mas cheios de amor por quem ainda não chegou, e o que pior joga a nosso favor é área financeira. Fazemos planos para os vinte e oito, e isso são equivale a onze anos juntos sem eles.

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  8. Gostei muito deste post!
    O blog é excelente. Não mude

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  9. Gosto muito deste post.
    Do blog, já gosto há muito tempo. Não mude

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  10. Muito bonito Catarina...admiro a coragem de começar a vida tão cedo :)

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  11. Catarina o blog é seu! Não tem que se justificar, mas se o fez foi porque quis e acho mto bem.
    Não quero ofender ninguém, mas confesso que não entendo os comentários que as pessoas fazem (não sei exactamente os comentários,mas pelas respostas que os/as Blogger's vão dando dá para perceber que não foram elogios sobre as imagens ou palavras publicadas) sobre imagens bonitas que só demonstram felicidade e amor! Afinal de contas, pelo menos é a minha opinião, os blog's servem para isso também, para inspirar as pessoas que vêem e lêem. Para ver coisas feias já basta olhar à nossa volta no dia a dia e ver as noticias...
    Eu ADORO o seu blog, as fotos LINDAS suas, da sua famila, dos seus filhos LINDOS, da sua casa...
    Sou mãe e de facto os dias não são todos ou a toda a hora só com coisas boas... choram, fazem birras, mas isso faz parte da vida de todas as crianças, de todas as mães e de todas as familas. Mas o que tiro dos meus dias são as coisas bonitas e boas, essas sim são as que nos fazem felizes.

    Continue a mostrar as suas imagens bonitas.

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  12. Adorei Catarina.
    Tão verdadeiro e tão real.
    Parabéns!

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  13. Catarina, é claro que Adorei este post, fez-nos conhecer mais um pouco da Catarina, mas adoro todos os posts com as suas imagens... por isso é que sigo, são uma inspiração para fotografar a minha filha!! :) e como já disse um dia vou ter mesmo que fazer uma sessão com a Catarina!! Por isso continue a mostrar-nos coisas bonitas!! :) A felicidade só a consegue quem a procura :) beijinhos!!

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