A pressa

É inimiga dos filhos. Os dias que vivemos são inimigos da maternidade. Pouco conciliadores, pouco capazes de nos dar espaço. A pressão (nossa) para querermos tudo é desesperante.
Entre dar de mamar, ter a capacidade de ler e entender os sinais do Sebastião e (re)agir na altura certa. Sobra pouco tempo. Muito pouco. Sobra para dar banho aos outros, sobra para fazer o jantar, ir ao parque, sobra para responder a alguns e mails e editar "às pinguinhas" umas poucas fotografias. Sobra para um banho com sorte, sobra para uma corrida quando tudo se une para isso (tias e avós e marido). Quando vou correr é o único tempo em que estou sozinha. Há 5 anos que não tinha este tempo. Sinto-me completamente livre. Posso ir para onde quiser, posso escolher ouvir o que quero (e não o mãe o tempo todo), posso ir à velocidade que quero, posso escolher. Quando somos mães fazemos escolhas todos os dias, a todos os minutos, mas perdemos a opção de escolhermos para nós, em singular. A nossa opção são eles (e são tão bons). E isto é o que tenho aprendido, entre tentativa e erro. Eles primeiro.
Este é o primeiro e único "truque" para conseguir conciliar alguma coisa. O bebé em primeiro. O bebé em primeiro para quando é preciso estar para os outros, os outros a seguir. Se todos estiverem bem, eu também vou estar. Aprendi que não precisamos nem podemos ter programas giros todos os dias, ir ao Jardim todos os dias. Ás vezes é melhor estar em casa, por mais "arruaceiros" que sejamos. E não faz mal. Ter tudo, conseguir ter tudo é acabar por perceber que a nossa fasquia não se mede pelo vizinho. Nem o blog do lado. Que os nossos dias são nossos, e nós é que somos felizes/infelizes com eles.




Este é o tempo em que a pressa faz de mim pior mãe.

[Slow down, take it easy]

2 comentários:

  1. Adorei o texto Catarina <3 (e as fotos...of course :-)
    Beijo grande

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  2. Estamos felizes com aqueles sorrisos! :) basta

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