The kids will be allright

Eu sabia que, um dia, aquela vida maravilhosa que me permitia ir pôr e buscar todos os dias os meus filhos à escola, iria acabar. Estava condenada à partida. A escola dos rapazes continua a ser bem longe de casa, a logística de os ir deixar e voltar para trás estava a esgotar-me e a trazer-me tantas contracções e mal estar que tive que accionar o plano "Gracinha-já-nasceu" mais cedo e contratar quem o fizesse por mim.

Este plano também passa por me ocupar da Leonor (que entrou agora para a primeira classe). Ajudar nos trabalhos de casa, ir pô-la e buscar todos os dias à escola, passar tempo só com ela. Isto porque acho absolutamente fundamental estar presente, dar-lhes tempo e espaço para se sentirem seguros e poderem falar, caso alguma coisa não esteja a correr bem. É que há, sempre, tantas coisas que podem e irão correr menos bem. 

Há umas semanas que estamos assim, os rapazes saem sem mim, não me cruzo com as educadoras, não há o beijinho à porta da sala, e o adeus feliz. Não os vou buscar à escola e chegam tarde a casa. São 18:30/19:00 e tento não pensar na quantidade de tempo qua passaram na escola, no trânsito a caminho de casa, e recebo-os sem culpas e com um sorriso "está tudo bem", tem que estar. 

O Sebastião chega feliz, apesar de tudo é um bebé que ainda se adapta muito bem a tudo. O Xavier chega resmungão, chateado porque não o fui buscar, mais uma vez. É capaz de ser o meu filho mais inseguro e nervoso, por trás dos caracóis e da cara querida e redonda, está um miúdo que apenas tem 4 anos e precisa de ter como certas algumas coisas importantes.

E é isto que me "mata" como mãe de 4. É saber que já não  posso chegar a todos da mesma maneira, que os braços da família que nos ajudam, são braços seguros para eles, e assim tem de ser. 

Ontem tive que embalar o Sebastião, pela primeira vez, para o deitar. Pede abraços para ter colo, e no meio daquela cara feliz e simpática apercebo-me de que também se ressente. Disso e da ausência do pai, que tanto adora. 

Mas, felizmente, o mês de novembro, o mês da Graça, o mês dos nossos 7 anos de casados, o mês em que a vida vai correr mais devagar está a chegar. 

Esperamos com imensa tranquilidade e a fazer o melhor que podemos...






1 comentário:

  1. Como eu percebo, no dia 29 nasceu a minha 3a filha e o que mais dói é não conseguir chegar a todos, estar disponível e mimar como sempre.
    Ajustes, tolerância, calma e paciência. Tudo se faz.
    E se um dia não se puder fazer isto ou aquilo, tudo bem. Vai-se fazendo.
    Beijinhos

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