Standby

Era domingo, o Miguel saia para mais um voo. Nos meus braços a Graça, colado a mim o Sebastião, e os outros a brincarem/discutirem.

Deu-me um beijinho na testa e, depois do seu "até já" do costume e um suspiro, declarou "talvez o quarto filho tenha sido um passo maior que a perna". Os meus olhos concordaram logo. A minha figura era quase dramática.

No dia a seguir e os seguintes foi um desatino, o internamento da Graça, os sustos, o choro, a adrenalina, o cansaço. 

O medo. O corte radical. O meu bebé que só mamava e dormia comigo todas a noites. Numa cama, fria, a soro e oxigênio. A beber 30 ml de vez em quando do meu leite por um biberon. A noite mais difícil, a palavra ventilador a assustar. Os médicos a voltarem ao quarto, os exames, a respiração dela. A tiragem, os aerossóis constantes. Que consolo podia eu dar-lhe?

Tudo passou e poucos dias depois melhorou muito. Hoje estamos em casa, mais tranquilos.

Às vezes perguntam-me, aqueles que sabem a verdade sobre ter muitos filhos próximos. "Então, como está a correr?" Respondo sempre: "é tra-ma-do". Eles andam felizes, andam soltos. Nos estamos cansados, mas mais do que isso a pensar se seremos capazes. 

Não tenho resoluções para 2016 porque ainda nem percebi que já acabou esse ano. 2016 nos espera mas por agora sentido nos em "standby"


4 comentários:

  1. Força....um grande beijinho no coração, é uma enorme benção !!!!

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  2. Boa sorte! Eu vou ter para a semana o terceiro filho e às vezes ainda me questiono se darei conta do recado... Bom ano!

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  3. tenho cinco filhos. O mais velho nove anos, o mais novo dois e outro a caminho. É tramado como diz, mas tudo passa e certamente que somos todos muito melhores porque somos muitos. Para a frente. Bom ano 2016.

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  4. É uma família linda. É duro, mas vale muito a pena. Um grande beijinho. Bem vinda.

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