A abdominoplastia do lado da Fisioterapia Mães&Filhos

Pedi a Inês, fisioterapeuta especializada, que nos contasse da sua perspectiva, o processo e a cirurgia, já que foi assistir, e que tem acompanhado o pré e pós cirúrgico.

"Encontrei a Catarina pela primeira vez na avaliação pré parto aos 4 Meses da sua ultima gravidez. Apesar de não ser possível avaliar a diástase com rigor durante a gravidez, até porque é normal que exista durante a gestação, verificámos um afastamento de aproximadamente 4 dedos. Na altura apresentava falta de força nos músculos do períneo, sintomas de incontinência urinária de esforço e dores na região lombar.  Fora os sintomas  referidos a gravidez seguiu normalmente e tudo correu bem no parto da bebé Graça :)

Passadas 16 semanas após o parto realizámos nova avaliação, obrigatória antes de iniciar qualquer tipo de recuperação,  para determinar o tipo/nível/intensidade dos passos a seguir. De um modo geral a avaliação da Catarina revelou:
   - Uma diástase patológica de 5 dedos;
   - Uma significativa projecção anterior dos orgãos quer em repouso quer com aumento da pressão intra abdominal associada a um fraco controlo abdominal e a uma extrema flacidez da linha alba;
  - O estado da pele, com excesso de tecido e estrias largas, não cumpria o seu papel de contenção abdominal;
  - Aparentava ter uma hérnia supra umbilical;
  - Excesso de peso.
Aliado a estes sinais, a Catarina referiu sentir uma significativa falta de força nos músculos do períneo, confirmadas por avaliação da contração, e fortes dores lombares.

Sendo uma possível hérnia (não medicamente diagnosticada) uma contra indicação para o exercício, sugeri que inicialmente fosse averiguar a sua existência, gravidade e necessidade de intervenção. No que diz respeito à recuperação fui directa com a Catarina desde o inicio, e expliquei que com os sinais avaliados o exercício físico, que iria ser num nível limitado,  nunca seria suficiente para a ajudar a atingir os resultados expectados. Era imperetrivel iniciar uma dieta alimentar que a ajudasse a perder gordura intra e extra abdominal.  Mesmo com menos peso e mais força abdominal o estado da pele não voltaria a ser um elemento de contenção abdominal influenciando o resultado final. O problema MAIOR que influenciava um programa de exercício eficaz era a diástase significativa, uma linha alba extremamente flácida e um baixo tónus muscular de base.

Explicando que a cirurgia só por si também não seria o suficiente para atingir os resultados expectados sugeri iniciar um plano de exercício de recuperação abdominal e do períneo que deveria ser individual e personalizado devido à especificidade do caso. Igualmente importante, seria entrar em contacto com um nutricionista de confiança que a acompanhasse no processo de perda de peso a uma velocidade saudável. 
Se fazendo todo o esforço descrito os resultados não se verificassem e os sintomas não melhorassem seguir com o plano de cirurgia.

Depois de algumas consultas com diferentes médicos cirurgiões plásticos e gerais a Catarina decide entrar em dieta pré-cirurgica, que potencia os resultados da operação, e não avançar com o exercício até à fase pós cirurgica.

Estando diariamente ligada à recuperação pós parto e a tudo o que esta diz respeito, o desejo de assistir à cirurgia da Catarina, pelo tipo de caso especial que é, era enorme. Poder assistir a uma reconstrução do posicionamento dos rectos vs. linha alba abdominal seria extremamente útil para compreender no seu todo o processo de recuperação e ajudar outras mães. Obrigada Catarina!

No dia da cirurgia - lipoabdominoplastia -  o Dr. Tiago Baptista Fernandes foi extremamente acessível na resposta a todas as perguntas e na discussão de casos clínicos.

Começou-se com a lipoaspiração que demorou entre 2h a 2h30. Através do movimento de uma cânula que "entra e sai"  da camada adiposa iniciou-se a quebra das ligações de gordura tornando-a mais liquida e móvel. De seguida também através de uma cânula aspiraram-se 4,5L de gordura. No final da aspiração era notório a alteração de silhueta e diminuição do volume abdominal. Explicado pelo Dr.Tiago  e trocado por miúdos é importante saber até onde se pode aspirar, deve sempre ser deixada uma camada protectora de gordura que permita que continue a haver vasos sanguíneos não danificados que assegurem a irrigação da zona intervencionada. Apesar de ser impossível garantir que a aspiração foi feita de uma forma simétrica a pratica do cirurgião faz com que as assimetrias sejam mínimas e irrelevantes, mas passiveis de existir. Foi notório o cuidado com a profundidade à qual as cânulas de aspiração chegam a cada movimento que é feito.
Seguindo para a abdominoplastia é feito um corte horizontal entre os ossinhos abaixo da linha do bikini e a pele é descolada ate ao esterno comprometendo alguma irrigação que é feita do interior para o exterior. Quanto menos pele é descolada menos irrigação é invalidada o que se reverte numa melhor recuperação. Mais uma vez a prática e poder de decisão do cirurgião na altura de descolamento é um factor importante.
- Após descolamento o primeiro passo é verificar a presença de hérnias e fazer a reparação do "buraco" no tecido onde são encontradas.. No caso da catarina, com a suspeita de hérnia supra umbilical verificou-se o estado da linha alba acima do umbigo mas não foi encontrada nenhuma hérnia.
- Verificou-se uma linha alba extremamente laxa (provavelmente com fibras partidas) que cedia sob o peso dos órgãos mesmo na posição de deitada de barriga para cima. Começou por se aproximar os rectos a 1cm deixando  de se ver a linha alba e fazendo com que estes ficassem adjacentes. Como o tecido muscular era também bastante flácido e continuava a dar-se bastante pressão de dentro para fora o cirurgião optou por reforçar a junção aproximando-os em mais (aprox.) 1 cm.
- De seguida depois de todas as alterações no volume abdominal terem sido feitas a pele foi puxada para baixo e tirado o excesso.
- Processo concluído foi a vez da reconstrução do umbigo. Foi tornado mais pequeno e colocado na sua posição correcta após a pele ter sido puxada.
- Por fim e uma das partes que exige mais minucia foi o fechamento do corte inicial. É importante ser cuidadoso na junção de peles que outrora não eram adjacentes para evitar altos e baixos na pele acima da cicatriz. Na altura dos pontos todo o esforço foi feito para que a cicatriz ficasse o mais linear possível.
Passadas 5 a 6H a cirurgia estava completa e a Catarina a acordar ainda no bloco.

O papel da fisioterapia no período pós operatório é:
 - A redução e reabsorção do edema para evitar um processo inflamatório excessivo com acumulação de metabolitos que favorecem formação de aderências entre os tecidos intervencionados e favorecer a "limpeza", nutrição e oxigenação dos tecidos.
   As drenagens linfáticas devem-se iniciar 2 dias após a cirurgia. São aconselhadas dia sim dia não pelo menos 15 drenagens;
- Mobilização e massagem das camadas de pele abdominal para evitar formação de nódulos fibróticos. A partir das 4 semanas após cirurgia;
- Tratamento de firmeza, nutrição e desintoxicação da pele para melhorar as defesas naturais e o processo de re-irrigação e eliminação de metabolitos e toxinas. A partir das 4 semanas após cirurgia;
- Mobilizaçao da cicatriz de forma a evitar aderências e formação de queloides
(atenção que que tem tendência para fazer queloides poderá apenas evitar que sejam em grande quantidade ou que limitem o alinhamento da cicatriz podendo afectar o espessamento). 
 - ensino da correcta contracção / contençºao abdominal  na posicao estática e face estimulos mais exigentes de movimento, ou seja, Re-aprendizagem do controlo motor abdominal - treino e fortalecimento da musculatura mais profunda do abdominal que permite estabilização e contenção dos orgãos,   
- Integração e ensino de padroes a evitar na actividade física que a catarina escolher fazer após terminar a recuperacao. "



Por Inês Cancela de Abreu
Fisioterapia Mães e Filhos

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