Abdominoplastia- a minha cirurgia - parte ı

Faz hoje 4 semanas que fiz a minha Abdominoplastia.

Já estou há muito tempo com vontade de vos contar tudo sobre este dia e as semanas que se seguiram. A verdade é que foi tão "simples" que a vida normal regressou muito depressa, e hoje quase que parece que não se passou nada. Não fosse a barriga estar tão diferente, e ainda com alguma falta de sensibilidade, diria que não foi nada comigo!

A Inês Cancela de Abreu, uma fisioterapeuta que me tem seguido desde a gravidez da Graça [Fisioterapia Mães e Filhos], veio assistir à cirurgia, e estamos a preparar um post especial com um report  incrível dos procedimentos feitos neste dia.

Nesse dia, em jejum, cheguei as 9:30 à Clínica de Todos os Santos, onde a equipa do Dr. Tiago Baptista Fernandes, o "meu" cirurgião, já me esperava.

Cheguei com o Miguel, muito tranquila. Nem ele nem a minha mãe estavam com muita vontade que eu fizesse esta cirurgia, apesar de saberem que era muito importante para a minha saúde e auto-estima. É verdade que os dois me adoram de qualquer maneira, e já há muito tempo tinham aceite esta barriga.

E eu também. Aceitei-a por fazer parte do meu caminho, por ser uma moeda de troca por todas as coisas boas que ela me deu [e são mesmo tão boas!]

Aceitei-a até ao ponto em que a diastase não incomodava, e ainda era reversível [consegui revertê-la de 3 dedos para 2, depois da gravidez do Sebastião]. Mas a gravidez da Graça conseguiu abri-la até aos 5 dedos. Já partilhei convosco todos os dissabores deste problema (dores lombares, incontinência urinária, hérnia umbilical, dificuldade e limitação em treinar..etc]

Tinha uma janela de oportunidade: financeiramente, apoio familiar [ter uma empregada interna neste momento da nossa vida, foi super importante], ter iniciado um programa de perda de peso e reeducação alimentar  que já me tinha ajudado a perder 12kg [6 desses com a Clinica de Nutrição de Lisboa].

O OK do cirurgião foi muito nesta premissa. Eu estava muito preparada para ouvir um "ainda não". Ainda tinha algum peso para perder, e sabia que poderia ser um impedimento. Mas, estava bem acompanhada, o processo estava a ser lento e real, e não apenas uma perda de peso massiva para uma "cirurgia-mágica". A verdade é que o processo de re educação alimentar e perda de peso, deve ser mesmo lento, contrariando as nossas expectativas, para ser consolidado, e para nos permitir passar uma série de vezes pelas dificuldades, falharmos e irmos corrigindo. dia a dia, semana a semana, mês a mês... e pela vida fora.

Ele sugeriu que associássemos uma lipoaspiração na barriga e flancos para melhorar o resultado, e assim foi.

9:30, vesti a bata verde, touca, e meias de compressão [que iria usar o resto da cirurgia e da semana, para ajudar a circulação]. Subi até ao bloco, tranquila, o meu pai deu me um beijinho e o Miguel já tinha voado até à escola da Leonor, num telefonema de aflição, porque tinha caído e estava com o joelho e o braço muito "miseráveis".

à porta do bloco, o Dr. Tiago apareceu, fomos para uma sala onde ele tirou as fotografias, e fez os desenhos e medições necessárias.

Deitei-me na maca outra vez, veio o anestesista, catéter, disse-me que me ia dar um calmante para entrar no bloco. Apaguei, e foi tão bom, nunca estive nervosa nem vi o bloco nem nada desnecessário!

Acordei 5 horas depois, cheia de frio, a tremer. Ia a caminho do recobro, passei pelos meus pais e Miguel, perguntei pela Leonor, e voltei a adormecer. O cirurgião veio falar comigo no recobro, contar-me que afinal não existia hérnia umbilical, que tinha corrido tudo lindamente. Muito, muito frio, já não tinha família no recobro e foram as horas mais difíceis. A primeira consciência da DOR. Sentia um fogo ao longo da barriga, um ardor constante e forte que não passava com a medicação. A dor mais forte era na zona do umbigo (foi reconstruído).

Perceber que mal me podia mexer, tinha qualquer coisa na garganta e precisava de tossir (o medo e a dor não me deixavam fazê-lo). Andei a "coçar" a garganta 4 ou 5 dias!

Senti algumas tonturas no recobro e algum enjoo. Passadas algumas horas de muito aquecimento, estabilizei e levaram-me para o quarto. Estava muito branca, como vos mostrei, o corpo era todo betadine, e nas pernas tinha umas botas que massajavam constantemente para estimular a circulação. Nunca inchei.

Os primeiros dois dias foram francamente difíceis. Levantava-me com imenso custo, mas levantava-me. Não podemos torcer o tronco de maneira nenhuma, por isso todos os movimentos são lentos e com muita ajuda.
Cheguei a arrepender-me de ter feito a cirurgia.
Nestes dias andei praticamente a 90º e o que sentia era a barriga muito presa e as costas uma dor imensa a andar. Cada passo era uma tortura. Posso dizer que tive uma má cesariana (a do Xavier) que conseguiu ser menos dolorosa.

Ao início entrei em pânico a pensar em como iria sair da Clínica, como iria chegar até ao carro, como iria sobreviver aos buracos na estrada. Muito devagar e com paragens estratégicas fui fazendo tudo.

Cheguei a casa, com muita medicação: antibiótico, injecções diárias para prevenir tromboses, ben-u-ron e nolotil, e mais tarde Rosilan para ajudar no edema. Outra tarefa difícil e para a qual não me mentalizei: os drenos. Dois tubinhos na zona púbica, mesmo em baixo da cicatriz, para onde drenavam liquidos que não interessavam ficar. Têm que ser despejados e contabilizados diariamente, de 24 em 24h. Retirei ao 8º dia, e foi um alívio horroroso.

Quase diariamente saía para iniciar as drenagens linfáticas [iniciei ao 4º dia] trocar os pensos e ser vista pelo cirurgião. Estava tudo sempre bem, boa cicatrização. Tomei o primeiro banho no dia em que tirei os drenos, e o segundo no dia em que tirei os pontos.

No meio deste processo, o que menos incomoda é a cicatriz grande que vai de uma anca à outra.
É ainda mais baixa que a cicatriz da cesariana [porque tenho um cirurgião experiente e talentoso], e nas primeiras semanas nem se dá muito por ela. Agora são os maiores cuidados, estou a usar um penso de silicone e um gel especial para prevenir queloide e hipertrofias.

De dia para dia ia deixando de sentir dores, que só foram mesmo fortes os primeiros 3/4 dias. Passado uma semana já estava a fazer uma vida normal q/b. O repouso prescrito era de poltrona e não de cama, e o pedido de andar 20 minutos por dia foi facilmente cumprido.

[importante, fundamental, obrigatório: nunca pegar em pesos - pelo menos durante 3 meses]

É importante também ter apoio, muito apoio 24h/ dia durante as primeiras 2 a 3 semanas; deixar que nos ajudem, nas coisas mais básicas e naquelas em que não nos apetece nada, como qualquer tipo de higiene.

Pouco a pouco a nossa independência vai surgindo, e hoje, 4 semanas depois estou perfeitamente independente, talvez às 3 semanas pós cirurgicas também já estivesse.

O edema pós cirurgico é completamente normal e esperado. Fiquei muito inchada, de tal maneira que não conseguia vestir a roupa que vestia antes da cirurgia (calças, por exemplo). Já avisada pela equipa arranjei uns vestidos-camiseiros largos para facilitar tudo. A cinta modeladora não é desconfortável e é para ser usada 24h por dia nos primeiros 45 dias, ou até quando o médico mandar iniciar o desmame.

As Drenagens linfáticas são muito importantes, e associadas a ela, tenho feito ultrassons para diminuir a resposta inflamatória. A Clínica de Nutrição de Lisboa tem sido um apoio essencial. Hoje retomamos as sessões de LPG na zona de lipoaspiração e retomamos as coxas que também estão a reter muito líquido e a serem receptoras do edema que vai descendo.

O resultado final, finalíssimo só se pode considerar a partir do 6º mês até ao 12º. No entanto a partir do 1º mês até ao 3º há uma grande melhoria no inchaço.

Esta semana ainda partilho convosco a perspectiva da Ines, sobre toda a cirurgia e o plano de recuperação :)



Fica a primeira fotografia oficial do antes e depois, com 15 dias de cirurgia.
Até ja!




1 comentário:

  1. Parabéns pela coragem e pelo resultado. Acredito que todas as dores por que passou compensem. Sentirmo-nos bem com o nosso corpo é fundamental. Tudo a correr bem.

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