Perder peso?

July 10, 2017

Sim. É possível...

De todos os bebés que tive os aumentos de peso eram idênticos: 20 a 25kg.

Se da primeira gravidez foi num piscar de olhos e sem grandes esforços, nas seguintes foi um verdadeiro bootcamp.

Fui me habituando, confesso.

A primeira vez que me vi ao espelho no pós parto da Leonor foi um choque enorme.

Tinha 22 anos. Primeira filha, 0 amigos com filhos, informações eram poucas e muito à base de fóruns.

Não me tinha sequer passado pela cabeça que o corpo demoraria tempo a voltar ao que era. Na minha cabeça, formatada pela informação da época, as mulheres saiam da maternidade impecáveis.

Vivi a gravidez muito tranquila. Não li nenhum livro, não frequentei nenhum curso, não visitei nenhuma maternidade.

Não sei se me sentia preparada ou não, toda a minha vida desejei ter um filho. Fui segunda mãe da minha irmã mais nova e, apesar de ser muito criança (11 anos) na altura, sentia que já sabia o suficiente.

E sabia. Sabia mudar as fraldas, pôr a arrotar, sabia adormecer bebés e era feliz viajando num mundo cor de rosa em que tudo era fácil.

Mas na verdade, eu não tinha sido ainda mãe.

A mãe que tem medo de dormir com a sua filha porque alguém lhe falou na morte súbita. A mãe que tem dores e pontos nos sítios mais dolorosos possíveis. A mãe que chora apenas porque o sol se pôs e vem aí a noite, aquela noite em que o cansaço das duas se multiplica e termina em choros intermináveis. A mãe que fica ansiosa porque o bebé não come.

A Leonor ensinou me tudo isso. Com a força característica de ser mulher em todo o seu esplendor. Raça de miúda, transformou-se na minha grande companheira.

Já estava mais consciente do que era um bebé, e ser mãe. Já estava preparada para o corpo pós parto. Já estava preparada para vestir roupa de grávida um ou mais meses.

Mas não sabia que, desta vez, a recuperação ia precisar de mais investimento.

Fiz muitas, muitas dietas. Malucas menos malucas, com ajudas ou suplementos. Nenhuma resultava até ao fim, porque depois de perder alguns kg, a barriga disforme, proeminente e com peles acabava por dar lugar a outro bebé.

Assim se foram passando as 5 gravidezes nos ultimo 8 anos. Nenhuma começava com um peso saudável.

O Sebastião foi o primeiro bebé em que decidi que não ia esperar para o tempo ditar o destino do meu corpo. Pus mãos a obra logo quando ele tinha 3 semanas.

Dieta, exercício, corrida. Cheguei lá. Os últimos 10 kg com ajudas que hoje sei que não são boas nem viáveis para ninguém.

Perdi 30. E ganhei os todos na gravidez da Graça.

Tive todas as boas intenções no pós parto dela. Mas foi uma mudança tão grande que o único esforço possível era sobreviver. Manter a família estável, tratar de mim e dela.

A minha fisioterapeuta avaliou me e a diastase que anteriormente era possível de recuperar com treino, tinha aumentado para um valor muito alto. Tínhamos uma suspeita de hérnia, 30 kg a mais, e muitas contra indicações para exercício intenso.

Os primeiros 5 meses foram difíceis. Olhar para mim, quando há uns meses estava impecável, frustrava me muito.

Perceber que me tinha desleixado e nem tinha força suficiente para parar e tratar de mim, deitava a minha auto estima bem lá para baixo.

És gordinha, mas ao menos és feliz. Diziam me várias vezes.

Sim, tinha todas as razões do mundo para não me queixar e ser feliz. Mas a questão era bem mais complexa.

Eu não queria ser gorda. (E estava obesa).

Sentia que o mundo já me tinha aceitado assim e isso revoltava me. Como um encolher de ombros. Não há nada a fazer... sempre foi gordinha, e agora com os filhos desleixou se por completo.

A palavra desleixo era a que eu ouvia mais na minha cabeça. Acredito que eu tenha sido a pior na hora de me julgar.

Fui decidindo, todos os dias, mudar a alimentação. Primeiro aderi ao paleo e perdi uns bons kg. Fui de férias e perdi a paciência para cozinhar constantemente.

Quando regressei achei que precisava de alguém que me acompanhasse de perto e corri até à clinica de nutrição de Lisboa. Tinha boas recomendações.

Em dezembro, mesmo antes do Natal, tive a primeira consulta.

Os resultados dos exames eram astronômicos. Obesidade. Mais de 40% de massa gorda.

Tinha que por mãos a obra. A cirurgia era uma etapa importante da minha recuperação, pois sem ela o exercício era contra indicado (nos níveis necessários para ajudar na perda de peso).

Uma dieta muito razoável sem excluir nenhum elemento da roda dos alimentos e sem qualquer suplemento.

As semanas foram passando e perdi 5kg.

Nessa altura a clinica convidou me a experimentar o tratamento LPG que ajudaria na redução de volume. E assim foi, associado a dieta os resultados e a motivação cresciam.

Quando chegou a data possível para cirurgia marquei uma consulta e 15 dias depois a cirurgia.

Com a ajuda da clinica de nutrição de Lisboa preparamos um plano pré e pós cirurgia, muito restritivo. Ia estar em repouso algumas semanas.

Correu tudo lindamente e apesar de alguns desesperos por estar em dieta há tanto tempo e às vezes nem haver redução de peso, fui mantendo a motivação. Fui aprendendo a conhecer a minha fome e as alturas em que comia pior.

Fui aprendendo a contornar e a controlar me.

De quando em quando sinto que estou pior ou sem melhorias e as vezes ponho a pata na poça. Mas faz parte. Nunca cedo ao "perdido por 100 perdido por 1000". Fecho os olhos e continuo.

Ontem abri os olhos e vi me quase lá. E fui ver fotografias de Maio. E caiu me tudo. Eu estava mesmo assim?

Já não há volta atrás. Agora é sempre a melhorar.

A todas nós, com mais ou menos kg para perder. Mais ou menos satisfeitas com a nossa imagem: foi no momento em que me aceitei que o compromisso mudou. Tirei o peso da busca da perfeição, e aprendi a gostar mais de mim.

Gostem se, muito! É o único conselho, e nunca desistam.

(E arranjem alguém para vos apoiar, este caminho não é para percorrer sozinhas)

 

 

 

 

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Olá, sou a Catarina! Tenho 31 anos, cresci e vivo em Lisboa, esta cidade linda que nos faz imensamente felizes.

4 filhos bons, muito bons. A primeira aos 23, e a última nascida aos 29.

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