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Graça a dominadora?

October 12, 2018

 

 

Graça

 

Já muitas vezes ouviram desabafos meus sobre o feitio, o génio, a personalidade, a maneira de ser da Graça. Chamem-lhe o que quiserem.

 

Durante os primeiros meses não demos conta. Era um bebé tranquilo (fora os sucessivos internamentos por ter apanhado o adenovirus e depois o VSR ainda antes de ter um mês).

 

A primeira vez que percebi que ela não ia ser tão “fácil” como foram os irmãos, foi pelos 4 meses, quando iniciou diversas greves de fome sempre que eu tentava dar de mamar sem ela pedir. 

 

Vou explicar: faltavam 10 minutos para ela fazer 3h (embora eu desse em livre demanda, ia orientando alguns tempos para ter uma ideia), ela não estava a pedir para mamar mas eu tinha que sair para ir buscar os irmãos à escola, ir fazer uma sessão fotográfica, o que fosse. Ela, não só recusava, como não mamava mais o resto do dia, ficava insuportável.

 

Depois eu tirava o leite e oferecia no biberon- nada.

Depois eu dava de mamar e ela.. nada.

Chorava o resto do dia.

 

E assim foi: a menina impunha o ritmo e eu seguia. A verdade é que me fazia muita confusão deixá-la chorar. Até aos 9 meses ainda tinha algumas “lesões” das bronquiolites e andava sempre na corda bamba. Por isso o choro e a falta de ar afligiam-me muito.

 

Depois entre os 12 e os 24 meses esteve com a nossa Rosie (a nossa primeira empregada interna, que foi muito especial para nós). Mas a Rosie também não gostava de ver a menina chorar, então fazia tudo à sua medida. Até a alimentava em andamento. Imaginem como foi crescendo o seu super-poder.

Claro que eu ia muitas vezes a casa, e passava muito tempo com ela, ia contrariando, mas ela era ainda muito bebé.

 

Quando a Rosie se foi embora (voltou para a sua família) a Graça estava a caminho dos dois anos. E ai é que foram elas.

 

Tudo no dia da Graça era contestado. “Vamos vestir o casaco e sair de casa: NÃO: sozinha.” E não vestia o casaco.

 

A partir daí estava tudo estragado, chorava porque lhe vestíamos na mesma o casaco e nunca mais parava. Aqueles choros histéricos que nos põem doentes logo de manhã e estragam toda a dinâmica familiar.

 

Era o casaco, era o que comia, como comia, o entrar no carro e pôr o cinto… tudo! 

 

Chegou um dia em que me vi a pedir ao Miguel para não “ir de frente”, para deixar de lado algumas coisas e fazer-lhe a vontade. Eu própria já andava ali sempre a apaziguar e a fazer tudo para que ela não chorasse. 

Foi aí que me caiu a ficha. Vi me de fora, e senti-me aquelas avós que estragam os meninos até mais não, nunca os contestam e nunca os deixam chorar, coitadinhos.

 

Percebi que não podia ser. Eu não era a avó, eu era a Mãe, e no fundo o melhor que eu podia fazer pela Graça era impôr os limites e contrariar, o mais rapidamente possível.

 

Assim foi, juntamo-nos os dois e todos os dias levávamos a nossa a melhor. Mesmo com ela a chorar. Sempre, sempre, sempre. Consistência.

 

Entrar na escola ajudou: metade do dia (até às 15h) passava lá e percebia que não era só ela no mundo, depois eu tirava a tarde só para ela, até às 17h quando íamos buscar os irmãos. Ela sozinha era mais fácil e menos teimosa que ela e os irmãos. Este tempo deu nos a oportunidade de nos conhecermos melhor e de ter um ponto alto no nosso dia. Aquelas horas já ninguém nos tirava.

 

O desenvolvimento da linguagem ajudou muito: fazer-se perceber e com calma fazer-nos perceber também.

 

Nada está ganho: se ela não trava batalhas tão grandes todos os dias connosco, há sempre algumas mais pequenas, nem que seja com os irmãos, e depois há as fases. Ela vai sempre desafiar-nos e isso já vive na nossa expectativa.

 

Por isso, posso dizer, com calma, tempo, e acima de tudo impôr os limites o mais cedo possível podemos ajudá-los a crescer, nestes feitios mais dominadores.

 

Sinto sempre que ela me está a pedir para pôr limites quando me desafia, e não para a apaziguar.

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Olá, sou a Catarina! Tenho 31 anos, cresci e vivo em Lisboa, esta cidade linda que nos faz imensamente felizes.

4 filhos bons, muito bons. A primeira aos 23, e a última nascida aos 29.

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