tiestieshttps://www.ties.pt/homeMarrakesh - pelos nossos olhos]]>https://www.ties.pt/single-post/2019/04/12/Marrakesh---pelos-nossos-olhoshttps://www.ties.pt/single-post/2019/04/12/Marrakesh---pelos-nossos-olhosFri, 12 Apr 2019 16:17:58 +0000
Agora, já em Lisboa e de pés na terra, pego nesta viagem.
Não foi a minha primeira ida a Marrakesh, mas foi a nossa primeira viagem de família depois de casadas e com filhos. A ideia era uma viagem de mulheres, os mais atentos já sabem que o meu pai teve a "felicidade" de ter tido 4 filhas e vive nesta minoria com alguma tranquilidade. Mas quis vir"tomar conta" das suas meninas, o que lhe valeu de várias bocas pelas ruas da medina, ouvia-se Ali Ba-bá e o Boss, foram as alcunhas que os nossos marroquinos com muita graça lhe davam!
A dada altura do planeamento da viagem achei que a Leonor era menina para vir. No mês em que completa 10 anos, passar uns dias com as tias, a avó e a mãe num sítio tão diferente pareceu me uma ideia óptima! Ela estava radiante com a ideia, e esteve mais do que à altura do desafio. Portou-se muito bem, nunca se queixou, comeu de tudo o que havia.
Não íamos com planos fechados, primeiro exploramos a Medina. O primeiro impacto na Leonor e no meu Pai foi a imensa poluição, a confusão dos carros, das motas, bicicletas, burros, tudo no mesmo sítio. Praticamente nunca existe passeios, por isso andar na Medina é mesmo estar alerta, a Leonor andou sempre de mão dada com uma de nós. Sempre.
Ficamos num Riad, que é uma espécie de Hotel hoje em dia, um edifício antigo e típico da cidade de Marrakesh, e que seriam antigas casas apalaçadas de família. É um edifício simples e pobre por fora, e a riqueza e os detalhes estão todos no interior, a casa é virada toda para um pátio, onde normalmente existe uma piscina / tanque. Escolhemos um que fosse o mais simples possível, e na verdade escolhemos bem, era tudo bonito, limpo e muito simpático. Com vários níveis de terraços, no último tinha chuveiros e colchões para apanhar sol e descansar das chegadas dos Souks (mercados).
Não ponderaria um Hotel grande e fora da cidade, apesar de compreender que com crianças será a melhor opção, é muito limitativo para chegar à Medina, e acaba por ser igual a estar noutro sítio qualquer do mundo. O bom de ficar na Medina, é a liberdade de poder passear sem taxi, e chegar a todos os sítios da Medina a pé. Medina é a cidade antiga, esta dentro de uma muralha. Para fora a cidade cresceu como qualquer outra, prédios, centros comerciais, grandes estradas, etc.
Ficamos então no Riad Zaouia 44, pela relação qualidade-preço, e porque tinha um quarto com 4 camas, o que ajudava na distribuição das miúdas e a não pagar 3 quartos para 7 :)
Assim que chegamos ao Aeroporto compramos logo um cartão de 10g de dados para poder consultar os mapas (a medina é labiríntica e para uma primeira ou segunda vez, demora tempo a perceber as ruas todas, e mostrar segurança com os caminhos também ajuda a evitar "as ajudas dos rapazes da rua" que muitas vezes nos levam a conhecer alguns sítios interessantes mas tem sempre moeda de troca, isso aconteceu-me na primeira ida, resistimos sempre, até que fomos levados a ver o tratamento das peles, a loja do tio, da tia, pagar a y e a z, por uma coisa que nem queríamos ver.
Apesar desta insistência por oferecer ajuda, todos são muito simpáticos e nunca tivemos medo, nem nos sentimos inseguras. A hospitalidade é a cara deles, apesar da cidade nunca parar para o turista, nós somos apenas umas formigas a assistir à vida da cidade.
Tudo o que se vende está inflaccionado, para turista comprar. Já se sabe. Discutir o preço faz parte, não se deixem enganar, é a alma de qualquer marroquino, discutir os preços, tem piada, conversa-se e criam-se algumas ligações às pessoas com quem fizemos negócio. True story! Faz parte da geringonça. Nos últimos dias percebermos que nos primeiros acabamos por comprar caro na mesma ... :)
Os táxis é outra questão a ter em atenção, combinem logo o preço com o motorista, existem preços fixos no aeroporto, se não me engano, 15€ até à medina.
Nós nunca comemos nem bebemos nada na rua, a não ser chá (a água é fervida) para evitar chatices. Fomos aos mais conhecidos, Le Jardin, Nomad, e faltou o café dês épices. Na verdade é o mesmo grupo por isso não devia ser muito diferente. Descobrimos, por sugestão do Riad, o Limoni, e adorámos, italiano, o que ajuda a descansar das Tajines e Couscous. Seguir os conselhos do Riad vale sempre a pena, assim como para os negócios nos Souks, há sempre alguém que tem um da família, mais barato para comprar tapetes, etc. Perguntem, eles ajudam :)
Decidimos ir um dia a Imjil fazer um passeio pelas montanhas do Atlas na mula, valeu muito a pena, os preços são simpáticos, o Guia prepara o almoço, no nosso caso foi no pátio da casa dele, em grandes conversas e partilha de histórias e culturas.
Este passeio foi organizado por um amigo da família que tem um Dar (Dar Zarraba) um pouco fora de Marrakesh, posso dizer que ficou entre taxis, guia, mula e almoço cerca de 40€ pp, ou menos. Foi uma experiência incrível!
(Riad Zaouia 44)
Passeios pelos Souks e Medina
Ida a Museu YSL
Ida a Imlil
No Le jardin
Para além das compras maravilhosas que se fazem, vale a pena ir visitar a Koutouvia, uma Mesquita muito importante, o Museu YSL, e os Jardins Majorelle, o Jardin Secrete, dentro da Medina, não adorei pela segunda vez a Praça Jamaa El Fna (tudo bem que há macacos e cobras, mas uma pessoa nem pode olhar uma vez que já estão a pedir dinheiro) sabem como me safei? mandei o ir chatear a minha irmã que estava parada a filmar mesmo em cima das cobras (ahahah se íamos pagar ao menos so pagava uma !!)
Tivemos uma sorte danada com o Museu YSL; porque há duas filas, uma para famílias com crianças ( 5 minutos e entramos) a outra tinha 1km de fila sem exagero :)
Ficamos com o bichinho de voltar e fazer o deserto, mas isso é para mais tempo :)
]]>
5 passos para uma roupa perfeita]]>https://www.ties.pt/single-post/2019/03/27/5-passos-para-uma-roupa-perfeitahttps://www.ties.pt/single-post/2019/03/27/5-passos-para-uma-roupa-perfeitaWed, 27 Mar 2019 23:17:26 +0000
Uma das coisas giras que a mudança de casa trouxe foi passar a gostar mais de algumas tarefas domésticas.
É estranho, parece impossível, mas de facto ando empenhada!
Acho que já vos disse, mas o facto de ter a cozinha aberta para a sala faz com que todas as tarefas ligadas a cozinha e tratamento de roupa deixem de ser tão penosas, porque não estou sozinha enfiada noutro canto da casa.
A própria família acaba por se envolver mais :)
Já nos perguntaram sobre a nossa lavandaria. Imaginam que numa casa de 6 seria necessário toda uma divisão, mas nós conseguimos encaixar isso em dois gavetões ao lado da máquina (2 em 1- lavar e secar) e tem funcionado perfeitamente.
A roupa que precisa de ser passada fica semi dobrada nesses gavetões à espera da sua vez :)
Fui desafiada a conhecer melhor todos os pequenos passos para tratar da roupa, algumas marcas e produtos já conhecia e já fazem parte da nossa rotina, outros são novos.
Querem saber mais?
Estes são os 5 passos:
Limpeza e proteção da máquina da roupa
Antigamente usava-se muito vinagre, hoje temos produtos próprios e mais eficientes, que conseguem um resultado mais profundo.
A primeira vez que usei fiquei parva com a sujidade que afinal existia na minha máquina, de um ano
2. Detergentes para a roupa, das lãs, aos algodões há detergentes específicos para as roupas mais delicadas. Para não estragar aquelas que mais gostamos, é sempre uma dor quando um terrível acidente de mistura de roupas acontece!
3.Tira nódoas - cá em casa é essencial, onde há crianças, há nódoas terríveis
Amaciador e protecção da roupa- esta é mesmo de caras, quem não pôe sempre, sempre amaciador?
E prolongar o cheirinho a roupa acabada de lavar? O último passo, com o elixir QUANTO
Acho que o mais difícil é explicar aos nossos maridos a necessidade de cumprir isto tudo, faço uma festa de cada vez que o Miguel faz uma máquina com amaciador (não estou a brincar!!)
Se quiserem saber mais sobre estes passos, vejam o novo site-
*post patrocinado
]]>
Aprendi com os miúdos]]>https://www.ties.pt/single-post/2019/03/26/Aprendi-com-os-mi%C3%BAdoshttps://www.ties.pt/single-post/2019/03/26/Aprendi-com-os-mi%C3%BAdosTue, 26 Mar 2019 17:01:11 +0000
Das coisas mais importantes que tenho aprendido com os miúdos, e ainda estou a aprender....
- NÂO APRESENTAR OPÇÔES, NÂO CAIR NAS EXIGÊNCIAS-
Eu bem gostava de não ser uma mãe- tirana. Juro que gostava, mas ás vezes eles não dão alternativa.
Bom, os mais velhos fazem escolhas, têm a liberdade que precisam para a idade que têm. Este post aplica-se aos mais novos, diria até aos 4 anos, talvez.
Não vou revelar nomes mas vou revelar pequenas histórias.
Todos conhecemos os exemplos, se perguntarmos aos nossos filhos se querem tomar banho o mais provável é ouvir: NÂO.
Esta manhã, uma das minhas criaturas (filhos) acordou de rabinho virado para a lua, como se costuma dizer, mal humorado.
Tanto eu como o pai tínhamos que sair para trabalhar mais cedo que o habitual, e por isso a hora de saída de casa iria ser 30 min mais cedo.
Vesti a minha melhor cara, a minha versão mais paciente e aproximei me da criatura mal humorada, ainda a acordar. " Bom dia meu amor, dormiu bem? Vamos vestir, hoje é dia de escola !" Mesmo ali a tentar provocar o sorriso, recebi esta resposta: não quero ir à escola, quero ir ao PASTA NON BASTA (restaurante que todos gostam muito)
Mãe- ok, vamos jantar ao PASTA NON BASTA; como quem diz "sim, sim, claro"
Criatura pequena deixa-me vestir, embora com exigências em relação à t-shirt.
Sentei-a à mesa do pequeno almoço, e perguntei: "o que queres comer?" não tive resposta. Adiantei-me "queres cereais"? recebi um sim, "com leite?" recebi um sim, com condição de ser no biberon. ok.
"quero leite do biberon na taça dos cereais" - hmm , ok. Fiz o que pediu.
Comeu duas colheres e... "não quero mais...." resmungou.
ok, não tem fome, vamos embora. Tirei os cereais da frente, pai ja a torcer o nariz, quando a criatura exige: quero pão com mel. Pai torce o nariz, mãe facilita para não haver dramas na hora de quase sair de casa. ok, peguei numa fatia de pão, pus mel e deixei à sua frente. Fui acabar de me vestir, mas voltei para trás com um "quero a outra parte, a tampa" -ou seja, sandes. Pai começa a ficar doido, de olhos em bico. Facilito para não haver dramas, vou buscar mais pão para fazer sandes. Ela recebe o pão e vê que essa metade não tem mel. Exige mel, eu vou pôr. Pai a fulminar me com os olhos.
Dou lhe o pão e ela diz: não tenho fome.
Vamos a descer as escadas do prédio e a criatura diz: tenho fome.
moral da história?
Aprendi.
]]>
HAPPY]]>https://www.ties.pt/single-post/2019/03/15/HAPPYhttps://www.ties.pt/single-post/2019/03/15/HAPPYFri, 15 Mar 2019 10:48:53 +0000
A primeira colecção ungendered da Zippy é, trocando por miúdos, uma colecção onde não há peças de roupa tradicionalmente vistas com as das raparigas e as dos rapazes. Onde os dois géneros podem vestir a mesma peça sem conotação feminina / masculina.
São estes pequenos passos que nos ajudam a quebrar as ideias pré concebidas que temos sobre os géneros. Porque nem sempre todas as crianças se sentem como a maioria. Porque cada vez mais devemos educar e propôr uma empatia em todas as frentes.
Às vezes chateia-me que se catalogue tudo em palavras e temas. Como se tivéssemos que obrigar os meninos e as meninas a serem diferentes do que são. Assim como o feminismo, como se tivesse, hoje em dia, que ser discutido assim. Não deveria ser questão, todos nos devíamos respeitar e aceitar, tal e qual como na homossexualidade.
E de repente falamos em temas fracturantes, de minorias, quando é exactamente o que acho que nem devia ser necessário.
Mas infelizmente ainda é preciso categorizar, falar, dar nomes.
Como mãe, sei bem o que cada um dos meus filhos gosta, e sei também como, principalmente os mais velhos gostavam de brincar com todo o tipo de coisas independentemente da conotação do género do brinquedo, e usavam as cores que gostavam. Os mais novos já cresceram sobre a influência dos irmãos (entretanto influenciados pela lógica da sociedade, amigos, escola). O sebastião não tolera de forma nenhuma vestir rosa, porque é de meninas.
Até perceber que existia um "problema" o Xavier chegou a praticar Ballet na sala da irmã. Ou melhor, até alguém o ter questionado o porquê, se ele era rapaz. Apesar dos nossos esforços, de lhe mostrar videos de bailarinos homens, ele cortou. Nunca mais quis ir, e tinha apenas 3/4 anos. E ele era muito bom.
Isto é um exemplo e existem mil outros. É mesmo um bom exemplo de como é urgente re-educar as nossas gerações no que diz respeito aos géneros.
É certo que um rapaz tem uma série de apetências e preferências, e quando chega à escola, por se agrupar, na sua grande maioria, seguem o que os outros fazem. Faz parte da socialização e não tem mal nenhum. Jogam à bola, pois claro. Mas vai haver 1, 2 ou 3 miúdos que preferem jogar a outra coisa. Ou brincar com as meninas. E é importante que eles saibam que não tem mal nenhum, não são diferentes e que cada um tem os seus gostos.
E acontece também que a maioria das raparigas na escola primária gosta de fazer danças com as amigas, praticar ginástica (pinos e rodas), cantar, assistir aos jogos de futebol dos amigos, etc.
Não tem mal nenhum, não podemos forçar a que as coisas sejam diferentes. Mas também vai haver as miúdas que querem jogar à bola e não se vão sentir aceites.
Devemos educar para a empatia, tanto os professores, vigilantes e os pais.
Para mim foi uma alegria ver esta colecção aparecer por várias razões, mas a principal é os gostos da Leonor, cada vez mais procura roupas de rapaz, passa o dia a assaltar o armário do Xavier, e porque lá em casa todos querem vestir as mesmas roupas que o outro tem. Agora já não vou ouvir, isso é de rapaz Graça, não podes vestir!
E é aqui que a magia acontece!
Ser mãe de rapazes e raparigas é de uma imensa riqueza, aprendo tantas coisas todos os dias com eles.
]]>
Supperstars na nossa casa]]>https://www.ties.pt/single-post/2019/03/05/Supperstars-na-nossa-casahttps://www.ties.pt/single-post/2019/03/05/Supperstars-na-nossa-casaTue, 05 Mar 2019 13:30:07 +0000
OMG! Passou-se mesmo um mês desde que escrevi o último post aqui no blogue?
Fevereiro passou a voar e, confesso, tantas coisas interessantes que fizemos e dias tão cheios que me esqueci de manter o nosso Journal.
Mas, Março começou com os anos do meu querido marido. O Miguel fez 33 e nada melhor que um jantar com alguns dos nossos melhores amigos para celebrar.
33? Ainda há uns dias dizíamos que não sentimos os 30's em nós. Parece que ainda temos 23, só não é possível quando olhamos para a Leonor e realizamos que não é nossa sobrinha, mas a nossa filha mais velha e que já vai fazer 10 anos no próximo mês!
Caramba! Havemos de ter 60 anos e queixarmo-nos do mesmo !
Bom, mas agora voltamos para o assunto que me trouxe aqui: quero partilhar convosco o excelente serviço da Supperstars, uma empresa que leva os melhores Chefs à nossa casa. Sim, é mesmo isso: passou-se assim: no site escolhi o chef e o menu .
Chegaram lá a casa 2h antes da hora marcada para o jantar. Trouxeram as compras, os equipamentos, tudo. Eu dei a cozinha e o resto do nosso dia manteve-se igual, em nada parecia que íamos dar um jantar para 8 pessoas, a não ser o cheirinho que se ia criando na nossa casa, dos pratos deliciosos que o chef ia preparando.
Eu tive tempo de pôr a mesa como gosto (apesar de ser um serviço incluido), arranjar-me, dar banho às crianças, sem uma pontinha de stress. É que sofro imenso nos dias dos jantares lá em casa, não sei como são vocês, mas é uma ansiedade para que esteja tudo ok, e os miúdos não desarrumem tudo!
O Miguel estava contente, afinal não é todos os dias que podemos ter um pequeno serviço de luxo em nossa casa!
O Jantar correu muito bem: na verdade era a primeira vez que sentávamos 8 pessoas à mesa (até fomos buscar a nossa mesa antiga) e discretamente e com um timing perfeito, os pratos do menu escolhido foram sendo servidos.
A cada prato o chef fazia uma pequena explicação, todos estávamos deliciados, e cada prato era surpreendente. Confesso, fiquei mesmo parva com a qualidade e a criatividade, que no fim de contas faziam o prato delicioso e inesperado.
Havia a possibilidade de repetir e no final do jantar, sem darmos conta, a cozinha já estava arrumada, e nós só ficamos sentados a gozar o final do jantar em conversas que ficaram para lá da 1 da manhã.
Foi mesmo uma experiência fantástica que iremos repetir!
Os menus começam nos 35€ pp e vale muito a pena para uma data especial!
[e sim, os mais velhos ajudaram o chef e ficaram a conhecer alguns processos na cozinha assim como alguns ingredientes de que nunca tinham ouvido falar!)
Obrigada Supperstars, foi um jantar memorável!
]]>
New Born Baby]]>https://www.ties.pt/single-post/2019/02/06/New-Born-Babyhttps://www.ties.pt/single-post/2019/02/06/New-Born-BabyWed, 06 Feb 2019 09:42:47 +0000]]>O dia]]>https://www.ties.pt/single-post/2019/02/06/O-diahttps://www.ties.pt/single-post/2019/02/06/O-diaWed, 06 Feb 2019 09:20:13 +0000
Tínhamos passado a manhã os 4 juntos, (a preparar uma coisa que ainda não posso contar), almoçamos num dos nossos restaurantes preferidos, e tranquilamente fomos ter com a nossa médica para saber como estava o Bebé Sebastião, [longe de imaginar que seria O dia]. Lá chegámos, e pouco tempo depois ficamos a saber que nasceria nesse mesmo dia. O CTG já não estava tão tranquilizador como os últimos, o bebé continuava muito subido, e não havia dilatação, apesar de tantas contracções. "Presas" pela cesariana do Xavier, que não nos permitia uma indução, tínhamos até às 19h para cumprir o jejum necessário para fazer a cesariana, enquanto isso tentámos estimular as contracções com soro e um bocadinho de oxitocina. No news. Eu estava calma, sabia que o desfecho seria um bebé e sorrisos na cara, independentemente do caminho. As contracções apareciam, ritmadas e altas, mas pouco intensas, sem dor. Dali nada evoluiu e às 19 em ponto vieram-me buscar. Comecei a tremer de nervos. O mesmo drama de sempre, epidural dada, ainda sentia a ponta dos pés, e a médica pronta para cortar. Ai! "Já começou?" perguntei, aflita, a uma enfermeira. "Sim!". ufa! Já tinha começado e o meu maior medo desaparecido. Mexe, remexe, e 5 minutos depois só ouvia: "Ahhhhhh" tanto líquido! 2 segundos depois, "Que bebezão!". E choro, muito choro! Era a fotocópia perfeita do Xavier. Apgar 10-10, recobro, toda a família lá dentro! As horas seguintes foram de adoração e encantamento por este bebé. As manhãs a 3 absolutamente deliciosas e tranquilas. Um namoro pegado. Foi o parto mais tranquilo e pacífico. Até hoje, nenhuma dor, nenhum desconforto, uma tranquila subida de leite, que nem dei por ela. Um bebé que mama tão, mas tão bem! Como reagiram os manos? Ainda estamos a tentar perceber...
]]>
Anunciar a gravidez antes das 12 semanas?https://www.ties.pt/single-post/2019/02/05/Anunciar-a-gravidez-antes-das-12-semanassimhttps://www.ties.pt/single-post/2019/02/05/Anunciar-a-gravidez-antes-das-12-semanassimTue, 05 Feb 2019 09:40:17 +0000
Enquanto escrevia o post de ontem realizei que há mais, muito mais.
Eu nunca consegui esconder as notícias. Assim que sabia que estava grávida partilhava com o mundo.
Muitos olhavam de lado ou criticavam esta opção. Nos primeiros filhos eu nem pensava se deveria esperar, era uma miúda e nem me passava pela cabeça que alguma coisa pudesse correr mal. Mesmo depois de perder o Zé Maria, anunciei a gravidez do Sebastião logo que soube.
É uma escolha pessoal, é verdade. Não critico ninguém que apenas deseje partilhar depois das 12 semanas. Cada um tem o seu feitio e sabe o que precisa, e de como viver as duras formas da vida, mesmo. Para mim faz sentido de uma maneira, para outros de outra. Há quem prefira viver em casal, e apoiarem-se um no outro, válido. Tudo tudo válido.
Mas, para mim, sempre me fez muito sentido partilhar estas alegrias. Se nunca as partilhasse também não poderia partilhar as tristezas.
Eu, e algumas pessoas próximas que partilharam a gravidez num estado inicial, depois de perdermos o bebé, ouvimos de algumas pessoas. Bem lá do alto: "Por isso é que eu não digo nada, agora tens de dizer o que aconteceu", "vês, eu bem te avisei, não devias ter contado logo".
Quando perdi o ZM voltei à minha vida, na altura de férias na praia, com pessoas que me conhecem desde bebé. Amigos da família, amigos meus de sempre, amigos dos meus pais.
Partilhar este processo, da forma com foi possível, permitiu que todas as pessoas que estavam comigo entrassem na minha intimidade, de certa forma, e todos os gestos e olhares e palavras ficaram gravados, o que é a vida então se nos fechamos em copas e quase ninguém pode entrar? Se na dor não se vive junto? Se na dor não se partilha?
Nesses dias, tomaram conta dos meus filhos, levaram nos a fazer programas, mimaram-se e estiveram presentes da forma como podiam. Ninguém nos tira isso.
A dor faz parte da vida de todos, e poder partilha-la e partilhar a vida, e partilhar a alegria. Que bom poder fazê-lo! Não retirem esta oportunidade com palavras más. Com julgamentos, com questões inoportunas. Pensem sempre nisto, a solidão de uma vida não partilhada é muito grande.
]]>
Quando se perde um filho]]>https://www.ties.pt/single-post/2019/02/04/Quando-se-perde-um-filho-ainda-na-barrigahttps://www.ties.pt/single-post/2019/02/04/Quando-se-perde-um-filho-ainda-na-barrigaMon, 04 Feb 2019 12:18:45 +0000
Fez 6 anos em Agosto que perdi um filho. Estava grávida de 17 semanas e a história começou antes de saber que estava grávida.. na altura a Leonor tinha 3 anos e meio e o Xavier 1 ano e pouco. Eu tinha 25 anos, era uma miúda. Aquilo que vos vou relatar vem de mim, da minha experiência pessoal, sem juízos de valor.
Um dia senti um caroço firme e pouco móvel perto da orelha, entre a orelha e o maxilar, para ser mais precisa. Achei estranho, esperei uma semana, e não desaparecia. Sentia-me exausta, muito cansada mesmo.
Na semana seguinte descobri que estava grávida, na verdade era um projecto desejado, o nosso terceiro filho.
Consultei algumas pessoas da área da saúde, de forma mais informal, e todas me diziam que “não era nada”. Mas as semanas passavam e continuava. Um pouco maior até.
Às 9 semanas de gravidez decidi ir às urgências procurar uma explicação. No hospital, por estar grávida, fui logo para a obstetrícia. O bebé estava óptimo, e suspeitaram que eu teria um quadro inflamatório para poder justificar tal “situação". Fui encaminhada no mesmo dia para otorrino, que confirmou que estava tudo bem, nem ouvidos, nem garganta, nada. Fizeram-me uma ecografia onde se confirmaram mais nódulos a desenvolverem-se em toda essa zona.
Vim para casa com um diagnóstico de parotidite, sem perceber o que quereria dizer, e o que implicava. Apenas sabia que daí a 6 meses iria repetir a ecografia.
Às 12 semanas fiz as típicas análises. Só 3 semanas depois chegaram os resultados: toxoplasmose. Eu sabia que não era imune, pelas gravidezes anteriores. Agora estava infectada com este papão. Com alguma ingenuidade respirei fundo e achei que não ia ser nada. Afinal as estatísticas comprovavam que era pouco provável que o bebé apanhasse naquela fase da gravidez. Mas, caso apanhasse, os danos seriam muito grandes.
O meu médico apresentou-me opções. Disse-me que nunca iríamos saber quais as lesões do bebé e se teria alguma, até nascer, ou mesmo até ao primeiro ano. Poderia desmanchar a gravidez ou seguir sem nunca saber o que se passaria.
Só saberíamos se o bebé tinha sido contagiado fazendo uma amniocentese a partir das 18 semanas, altura em o bebé começa a fazer xixi para o liquido amniotico. Até lá, iria tomar os medicamentos previstos. O médico, no entanto, aconselhou a esperarmos pela amniocintese e aí decidir o que fazer.
Mas eu já tinha decidido: aquele bebé era meu filho, eu já o sentia, era meu. Não poderia escolher abortar, nunca conseguiria viver com isso. Eu escolhi a vida, fosse ela como fosse, viesse como viesse.
Ele congratulou-nos como se fossemos espectaculares- vocês são fantásticos, parabéns! [não somos, mas somos pais, e sei as marcas que deixam um aborto] e principalmente na inexistência de certezas, e da possibilidade de existir saúde na vida daquela criança.
Não senti orgulho nenhum na minha opção, na verdade, senti que estava a ser pouco corajosa ao escolher a vida: eu não saberia viver comigo tendo tomado essa decisão de livre vontade. Os meus valores morais nunca me deixariam escolher abortar mas na hora H eu sentia os meus impulsos humanos. E sentia o meu filho, vivo dentro de mim.
Não chegamos às 18 semanas, uns dias antes da consulta deixei de sentir o bebé, a barriga começou a ficar mais pequena e eu já sabia o que me iam dizer: Não havia sinal de vida.
Eu estava tranquila, eu sabia. Já tinha dito ao Miguel no dia em que pressenti todas as mudanças. A minha mãe quis vir connosco à consulta, eu não tive coragem de lhe contar as minhas suspeita, nem ao médico. Fechei os olhos e deixei que aqueles minutos e tentativas intermináveis à procura do coração do bebé terminassem ou me trouxessem um presente. Foi um choque enorme para todos... Quando confirmamos com a ecografia vi coisas que nunca mais me vou esquecer. Um bebé que estava óptimo há um mês, que se mexia, estava desfeito, colado a uma das paredes do útero, quase já sem líquido.
Esperamos uma semana e entrei em trabalho de parto espontâneo. Fui para o hospital, levei morfina para suportar as dores, e até as da alma. Na televisão passava a série “maternidade” e eu de tão drogada vi tudo, sem dramas.
Só nasceu à meia noite, os meus pais já se tinham ido embora e o Miguel tinha adormecido no cadeirão. Senti imensa vontade de fazer força, senti que ele ia sair, chamei a enfermeira que apenas teve tempo de segurar. Foi o único parto que senti tudo, teria sido o parto mais emocionante da minha vida.
A enfermeira perguntou se eu queria ver e eu aflita só me lembrava da ecografia e de como deveria estar, e disse que não. Levaram-no e até hoje só tenho na minha cabeça a imagem de uma bolsa de sangue. Levaram o meu bebé e eu não sei onde ele está.
Passado um tempo arrependi-me. Queria ter podido enterrar, ter feito um luto mais compreendido. Mas isso não era possível.
Nos dias seguintes, como estava de férias, voltei à praia. Não me quis esconder e sofrer sozinha, quis o abraço de todos os que estavam à minha volta, as palavras e os beijinhos que foram todos reconfortantes.
Alguns de vocês chegaram aqui há pouco tempo e não conheciam esta nossa história, e tenho algumas pessoas próximas de mim que já passaram ou estão a passar por um momento destes, que senti que precisava de partilhar com todos: tudo passa, nada se esquece.
Guardo todos os minutos desse dia e dos dias seguintes.
Guardo o silêncio com que sobrevivi. Mas também guardo os gestos, os pequenos gestos de tantas pessoas.
Durante os meses que se seguiram custava me muito ver grávidas, bebés pequeninos. Até tive que sair da Igreja num baptizado onde estava a fotografar porque de repente vi chegar ao pé de mim 3 carrinhos com bebés à volta dos 2 meses. Saí, chorei e voltei.
Durante esse tempo não quis engravidar, por nada.
Um dia fez-se luz, e só queria estar grávida de novo. Foi o único bebé que tive de esperar mais tempo, não conseguia engravidar à primeira como estava habituada. Levaram 4 ou 5 meses. E chegou o nosso Sebastião.
A maior dificuldade que senti foi a de falar. Sentia que os olhos das pessoas me julgavam quando precisava de falar, ou dizia alguma coisa sobre o assunto: “ainda? Já passaram meses, já devia ter passado” era o que eu via nos olhos dos outros. Não relativizem nunca a dor de uma mãe e de um pai. Dêem espaço para falar ou não falar. Acolham.
É difícil ser amigo, irmã ou irmão, pai ou mãe nestas situações, e muito difícil estar perto. "O tempo cura, já tens outros filhos, não és a única”. Palavras sem intuito de magoar mas que não ajudam.
Do coração: estar perto e ser amigo é difícil nestas situações, mas a vida tem coisas boas e más, a dor faz parte dos nossos dias.
Que a sociedade, nós todos, não gostamos de falar das coisas que doem, faz parte da sobrevivência. Mas a mim o que mais me ajudou foi falar e escrever, na altura, no blogue. Houve alguns posts que deixei de escrever com medo de parecer ridícula, face a tantos outros problemas mais graves de outras pessoas.
No fundo o que eu queria mesmo dizer é que não palavras para este sofrimento e para a solidão com que se atravessa estes momentos.
Mas a vida dá a volta e traz-nos coisas boas, que não apagam, não nos deixam esquecer, mas apaziguam. A Vida é boa.
]]>
Novo Canal]]>https://www.ties.pt/single-post/2019/02/01/Novo-Canalhttps://www.ties.pt/single-post/2019/02/01/Novo-CanalFri, 01 Feb 2019 16:16:48 +0000
Queridos, os que cá vêem todos os dias e os que gostam de ir acompanhando tudo!
Alguns já sabem pelo instagram as novidades: criei, a vosso pedido, um canal no youtube. Está em modo baby steps, a ideia é fazer videos de forma regular, para já quinzenal!
Conto convosco para partilharem o canal e subscreverem para isto poder ter pernas para andar :) Era mesmo bom!
Ajudam-me neste projecto?
Obrigada!